Nome de Siro Darlan consta em manifesto 'contra o Estado policial'

Desembargador foi criticado pelo Ministério Público

Por thiago.antunes

Rio - Em um manifesto em defesa da democracia, contra o Estado policial, em favor de manifestações populares, consta o nome do desembargador Siro Darlan, da 7ª Câmara Criminal. O magistrado é responsável por revogar a prisão de 21 ativistas acusados de formação de quadrilha e participação em protestos violentos. Entre os beneficiados está Eliza Quadros Sanzi, a Sininho, Igor D’Icarahy e a professora de Filosofia Camila Jordain.

Cópias do cartaz ao qual O DIA teve acesso, confeccionadas no ano passado, estavam afixadas em instituições de ensino, como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Ao analisar o manifesto, o procurador-geral de Justiça, Marfan Martins Vieira, informou que Darlan não poderia ter atuado nos habeas corpus que permitiram a libertação dos ativistas.

O nome de Siro Darlan consta como signatário de manifestoReprodução

“O manifesto o torna, no mínimo, suspeito para apreciar os habeas corpus”, explicou Vieira. Procurado pelo DIA, Siro Darlan alegou que não comentaria sobre o manifesto. “Estou vinculado ao processo. Não vou me pronunciar sobre isso”, justificou o desembargador. Nesta terça, Siro Darlan abriu ainda uma crise com o Ministério Público. Em entrevista à BBC Brasil tratou o órgão como um serviço de “inutilidade”.

Ao DIA, Darlan alegou que se referia ao fato de o Ministério Público não combater o excesso de prisões: “Neste particular, o Ministério Público é uma inutilidade. Nas cadeias, há corrupção, tortura, e o órgão não toma providências. Não falei do Ministério Público como um todo”.

Em nota oficial, o Ministério Público alegou que a instituição atua em defesa da sociedade. “Vem externar seu mais veemente repúdio às declarações do Sr. Siro Darlan, que, uma vez mais, presta enorme desserviço ao povo e ao Estado brasileiros. Rotular o Ministério Público de “inutilidade” é ignorar seu importante papel na tutela dos interesses coletivos. Na verdade, é exatamente por exercer com retidão e diligência a tarefa de proteger os direitos sociais, tentando conter o avanço da criminalidade, que a instituição tem colecionado tantos e tão poderosos inimigos”.

O órgão lembrou que, em 2010, Siro Darlan soltou dez traficantes que invadiram o Hotel Intercontinental e fizeram reféns.

Pedido de revisão de libertação

O procurador do Ministério Público Riscalla Abdnur entrou ontem com recurso na Justiça. Ele pediu ao desembargador Siro Darlan que reconsidere a decisão de manter em liberdade os 21 ativistas.

Se o desembargador negar o pedido, Abdnur pediu que a 7ª Câmara Criminal decida no prazo de 48 horas se concorda com a decisão de Darlan. O desembargador informou ontem que ainda não havia recebido o pedido, mas adiantou que encaminhará o caso para que a 7ª Câmara Criminal decida.

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