'O Bethlem renunciou', declara Pezão

Deputado é investigado por esquema de corrupção

Por thiago.antunes

Rio -O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, revelou na tarde desta quarta-feira ter recebido informações de que o deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB) desistiu de concorrer à reeleição. Pezão deu a declaração durante visita às obras do Condomínio Jardim Beija-Flor, do programa Minha Casa Minha Vida, no Complexo do Alemão. O residencial abrigará 200 famílias de Manguinhos e do próprio Alemão até o fim de agosto.

"O Bethlem renunciou, parece que está saindo. Ele tem se reunido com o PMDB e vai tomar a decisão. Estou sabendo que ele chamou diversas pessoas com quem estava 'fazendo dobradinha' e comunicou que não será candidato", disse o governador. A assessoria do deputado, no entanto, não confirma a desistência da candidatura.

Pezão esteve no Complexo do Alemão visitando obras do programa Minha Casa%2C Minha VidaFernando Souza / Agência O Dia

Questionado pelo DIA se perdeu a confiança em Bethlem, Pezão se esquivou e apenas ressaltou que ficou triste, já que "as provas são muito fortes". O governador também negou que tenha feito a visita por motivos eleitorais. "Eu estou trabalhando. Só tenho feito campanha no final da tarde e à noite. Mas se tiver de fazer durante o dia, farei também".

Pezão chegou caminhando ao conjunto residencial, localizado na Avenida Itaóca. Mesmo com as ruas cheias em virtude da tarde pacífica na comunidade, os moradores não se empolgaram para acompanhar a caminhada do peemedebista. O clima foi de pânico na última terça-feira, com tiroteios de manhã e à tarde. No mesmo dia, a polícia prendeu Anderson dos Santos do Nascimento, o Gordinho, considerado um dos principais criminosos do conjunto de favelas. Um PM ficou ferido na perna durante confronto com traficantes por volta das 15h.

Coronel: 'Não vamos recuar'

O comandante da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP), Frederico Caldas, garantiu que a resistência do tráfico não fará o Estado recuar na política de pacificação. De acordo com o coronel, 300 policiais reforçam o patrulhamento no Morro do Alemão e nas comunidades Nova Brasília e Fazendinha, considerados os pontos mais críticos do Complexo. O mapeamento da região conta ainda com o apoio de tropas do Batalhão de Operações Especiais (Bope), do helicóptero da PM e de câmeras ocultas.

Moradores da comunidade Nova Brasília ouvidos pelo DIA relataram que o local nunca mais teve sossego absoluto desde a saída do Exército, na época da implantação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em 2012. "Os traficantes tinham mais respeito", apontou um deles.

Outro morador comparou o comportamento do tráfico antes e depois da UPP. "Antigamente, eles soltavam fogos antes de partirem para confrontos. A população tinha um tempo para se abrigar, se esconder. Hoje em dia, é só piscar que o bicho tá comendo. É meio um 'Deus nos acuda'".

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Ex-mulher investigada pelo MPE, que arquivou inquérito

A ex-mulher do deputado federal Rodrigo Bethlem (PMDB), a empresária Vanessa Felippe, já foi alvo de investigação do Ministério Público Estadual em 2012. No inquérito, que foi arquivado no mesmo ano, foram apuradas denúncias de que Vanessa seria funcionária fantasma da Loterj, onde exercia o cargo de vice-presidente, por nomeação do então governador Sérgio Cabral, desde 2007. Na época, a empresa enviou ao MP cópias do controle de frequência de Vanessa, em que há assinatura dela em todos os dias, inclusive em datas festivas e feriados, como Carnaval e Natal.

No sábado%2C o prefeito Eduardo Paes afirmou que Rodrigo Bethlem (foto) 'deve uma satisfação para a sociedade'Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Vanessa é autora das denúncias divulgadas pelas revistas ‘Época’ e ‘Veja’ contra seu ex-marido. Em gravações de áudio e vídeo, as denúncias dão conta de que o ex-secretário municipal recebia propina de ONGs e que usou caixa 2 em campanha eleitoral, com recursos não declarados recebidos do empresário de ônibus Jacob Barata. A denúncia de que Vanessa não comparecia ao trabalho chegou à Ouvidoria do MP, de forma anônima, em outubro de 2011. Na época, a 2ªPromotoria de Justiça e Tutela Coletiva, responsável pelo caso, solicitou à Loterj diversos documentos.

Na ocasião, a empresa enviou apenas a frequência de 2010, 2011 e parte de 2009 e 2012, alegando que os documentos dos anos anteriores não foram encontrados por conta de uma reforma na sede da Loterj. Em oitiva prestada à Promotoria no dia 16 de abril de 2012, Vanessa, que recebia salário de R$ 10.570, se defendeu das acusações alegando que estava sendo vítima de opositores políticos. Dois meses depois, o inquérito foi arquivado a pedido do presidente da Loterj, Sergio Ricardo Martins Almeida.

Vanessa foi investigada pelo MPEReprodução

O governador Luiz Fernando Pezão elogiou Bethlem e lamentou o suposto caso de corrupção. “Sempre tive o Rodrigo como um companheiro que sempre fez boas políticas públicas”, comentou.

Oito vereadores decidiram denunciar o deputado à Polícia Federal, Tribunal Regional Eleitoral e Procuradoria Geral da República. Leonel Brizola Neto (PDT), Teresa Bergher (PSDB), Marcio Garcia (PR), Reimont (PT), Eliomar Coelho, Jefferson Moura , Paulo Pinheiro e Renato Cinco (PSOL) também pretendem se reunir com o prefeito para solicitar a liberação da bancada governista para assinatura da CPI que vai investigar Bethlem.

ONG terá que devolver R$ 230 mil

A ONG Casa Espírita Tesloo, envolvida em denúncias de irregularidades e desvio de verbas, terá que devolver mais de R$ 230 mil aos cofres públicos. A decisão, que tornou sem efeito a aprovação das contas dada em 24 de julho, foi publicada no Diário Oficial do Município nesta terça-feira. Dois dos convênios reprovados — dezembro de 2010 e janeiro de 2011 — foram na gestão de Rodrigo Bethlem na Secretaria Municipal de Assistência Social.

A revisão aconteceu três dias depois da divulgação das denúncias de que Bethlem recebia propina de ONGs e fazia caixa dois, divulgadas pela revistas Época e Veja, e cinco dias depois da aprovação das contas. Totalizando os cinco convênios — março, julho, setembro e dezembro de 2010 e janeiro de 2011 — o valor a ser devolvido à prefeitura do Rio soma R$ 232,3 mil.

A Prefeitura ainda não se pronunciou sobre o assunto.

Reportagem de Gustavo Ribeiro

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