Por thiago.antunes

Rio - A gráfica High Level Signs, que produzia materiais de campanha dos candidatos do PMDB no Rio e foi lacrada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na semana passada, utilizava ao menos seis CNPJs diferentes nas notas fiscais que entregava aos políticos. Os cadastros das empresas na Receita Federal correspondem a quatro endereços diferentes.

O DIA esteve nos locais nesta segunda no Méier - todos próximos ao parque gráfico da High Level Signs. De acordo com vizinhos, dois deles, um na rua Vinte Quatro de Maio e outro na rua Joaquim Meyer, estão sem funcionamento comercial há anos e permanecem com portões fechados. Antes sediaram um mercado de frutas e um cartório, respectivamente. Em outras campanhas eleitorais, esses espaços teriam sido utilizados pela gráfica como depósito de produtos. Dois deles também foram lacrados pelos fiscais do TRE.

No endereço da rua Joaquim Meyer%2C lacrado pelos fiscais da Justiça Eleitoral%2C funcionou um cartório Estefan Radovicz / Agência O Dia

No endereço correspondente às notas fiscais do candidato a deputado federal e ex-chefe da Casa Civil Pedro Paulo funciona um salão de beleza. Nesta segunda, o TRE informou que a CSPS Signs Painéis, nome comercial da High Level Signs, prestou diversos serviços gráficos ao governo e à prefeitura do Rio de Janeiro em 2014, como a produção de adesivos e balões para a Operação Lei Seca, envelopamento de veículos de supervisão regional e placas com o brasão da Polícia Militar, entre outros.

Documentos fiscais apreendidos pelo tribunal mostraram que a CSPS Signs aparece como "emitente" e a Secretaria de Estado da Casa Civil, como "destinatário" em "vendas" que somam pelo menos R$ 900 mil. No caso da prefeitura, documentos fiscais comprovam a contratação, por meio da ACP Promoções e Marketing, para a produção de painéis, adesivos e placas da Riotur. Foram apreendidos, ainda, adesivos institucionais do governo do Estado e da Secretaria de Assistência Social da prefeitura do Rio de Janeiro.

Além disso, surgiram mais políticos com produção de material de campanha no local, como Marco Antonio Cabral (PMDB), filho do ex-governador Sérgio Cabral, Jorge Felippe Neto (PSD), Marcos Abrahão (PTdoB), Gustavo Trotta (PMDB), Chiquinho da Mangueira (PMN) e Christino Áureo (PSD).

“Inicialmente, vislumbramos indícios de fraude na prestação de contas, crime fiscal, abuso de poder econômico e político, além de propaganda irregular”, afirmou a coordenadora de fiscalização da propaganda, juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza. Os fiscais devem apresentar nesta quarta-feira um relatório completo da ação ao Ministério Público Eleitoral.

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