Morte de PM no Morro da Coroa reforça o poderio do tráfico na região

No dia 30 de julho, agente da Divisão de Homicídios havia sido ferido no São Carlos

Por thiago.antunes

Rio - O poderio de traficantes que, apesar das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), controlam a venda de drogas em comunidades do Estácio e Santa Teresa ficou, mais uma vez, evidente na manhã desta terça. O soldado Weslley dos Santos da Silva Lucas, de 30 anos, foi morto no Morro da Coroa, no Catumbi. No dia 30 de julho, um policial da Divisão de Homicídios (DH) já havia sido ferido enquanto investigava no São Carlos um assassinato. Logo após a morte do PM, o patrulhamento na região foi reforçado por homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope).

Conforme O DIA mostrou segunda-feira, moradores da região convivem, há semanas, com o risco iminente de confronto entre bandos rivais após a morte de Tiago Portelinha, o 3P do São Carlos, assassinado em julho por bandidos do Morro do Escondidinho, em Santa Teresa. Além da promessa de vingança, segundo a Polícia Civil, o crime decretou o ‘fim do tratado de paz’ para a livre circulação de moradores pelas comunidades. Agentes também investigam a informação de que facções rivais tenham se unido no início do ano para atacar policiais.

Após a morte do soldado%2C a PM reforçou o patrulhamento nos conjuntos do São Carlos e de Santa TeresaSeverino Silva / Agência O Dia

De acordo com homens da UPP Coroa/Fallet-Fogueteiro, onde Wesley era lotado, e moradores, ele foi surpreendido na abordagem a dois suspeitos. A vítima patrulhava a localidade Coração de Mãe e flagrou Wagner Gabriel Ferreira e Ana Paula de Azevedo com pistola 9mm e munição. Enquanto ambos eram conduzidos para a viatura, um bandido teria surgido de uma laje e feito disparos de fuzil.

O soldado foi levado para o Hospital da PM, no Estácio, mas não resistiu. Já o comando das UPPs informou que Wesley foi atingido em troca de tiros. Preso, o casal acabou encaminhado para a 5ª DP (Mem de Sá), onde foi autuado por homicídio e porte ilegal de arma. O militar estava na corporação desde março de 2012 e ,na atual unidade, desde janeiro deste ano. Weslley deixa mulher e um filho de 10 anos.

Moradores vivem clima de apreensão

No dia 30 de julho, agentes da DH realizavam diligência no São Carlos para investigar a morte de Portelinha. Na ocasião, um policial foi ferido por estilhaços após ataque de bandidos armados. A comunidade é controlada por traficantes da facção Amigos dos Amigos (ADA), assim como a Coroa, Querosene, Zinco e Mineira. Já os criminosos do Comando Vermelho se concentram no Fallet, Fogueteiro, Escondidinho e Prazeres.

Em relação ao crime que pôs fim à paz na região, Portelinha era filho de Alexander Gomes, o Sheiik Costa, que está preso. De acordo com a polícia, ele já foi um dos homens fortes do Complexo do São Carlos e ainda teria influência na comunidade. Já o suspeito do assassinato, Charles Miranda Ramos, é filho de Altair Domingos Ramos, o Nai, que também está preso. Ele teria comandado a Mineira na época em que a comunidade era chefiada pelo CV.

Antes da morte, a polícia teria descoberto que os bandidos rivais haviam se unido. Em uma operação no Fallet no início do ano, PMs foram alvos de disparos vindos da Coroa. O objetivo era facilitar a fuga dos traficantes, mesmo sendo rivais. Mas, após a morte, moradores passaram a evitar circular por áreas rivais com medo de guerra generalizada.

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