'Não cabe transformar a igreja em uma fortaleza', diz padre após sequestro

Um dia após criminoso fazer refém ajudante do pároco da Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, no altar do templo, segurança na região não foi reforçada

Por paloma.savedra

Rio - O sequestro que ocorreu no fim da tarde deste domingo dentro da Paróquia Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, na Zona Sul do Rio, e deixou cerca de 500 fiéis e integrantes da igreja em desespero por mais de duas horas, não alterou a segurança - pública e privada - do local nesta segunda-feira. No entorno do santuário, que fica na movimentada Rua Visconde de Pirajá, em frente à Praça Nossa Senhora da Paz, não houve reforço no patrulhamento da Polícia Militar. As missas desta manhã também foram celebradas normalmente, porém, pelo bispo auxiliar Dom Antônio Augusto.

"A igreja tem que estar de portas abertas. Não cabe tranformá-la numa fortaleza", declarou o bispo, que presidiu a missa no lugar do pároco da Nossa Senhora da Paz, padre José Ricardo, que foi um dos alvos do bandido que invadiu a paróquia. "Falei com o padre José pelo telefone, e ele parecia estar mais tranquilo. Amanhã (terça), ele voltará a celebrar normalmente as missas", completou Dom Antônio. 

Mesmo após sequestro, para o bispo auxiliar da Nossa Senhora da Paz%2C Dom Antônio Augusto%2C igreja não deve ficar cercada%3A "Temos que estar de portas abertas"Carlos Moraes / Agência O Dia

A igreja estava com dois seguranças de empresa de vigilância contratada há mais de 20 anos. De acordo com os frequentadores do local, os vigilantes não conseguiram intervir, porque o bandido entrou sorrateiramente.

Durante a primeira missa, realizada às 7h30, o bispo auxiliar fez uma menção ao ocorrido deste domingo e agradeceu a Deus por não ter havido nenhuma vítima. Dom Antônio pediu ainda para que Deus ilumine o caminho do sequestrador. 

Já os moradores do bairro criticaram a falta de policiamento: "Não tem como sentir segurança por aqui. Os assaltos são frequentes, mas chegamos ao cúmulo, não foi apenas um sequestro, foi um sequestro dentro da igreja. O último lugar em que isso poderia acontecer", disse a voluntária da paróquia, Maria Ibrahim, 46 anos. 

Após assaltar farmácia, bandido sequestra ajudante de padre na igreja

O criminoso Carlos Alberto de Souza Júnior, de 35 anos, invadiu a Paróquia Nossa Senhora da Paz por volta das 17h deste domingo, logo após roubar uma drogaria, na altura da Rua Garcia D'Ávila, em Ipanema, com ajuda de um comparsa que fugiu. Ele entrou armado no templo com uma pistola calibre 380, rendeu o padre José Ricardo e depois fez refém o ministro da Eucaristia Eduardo Amaral, por mais de duas horas. A PM foi acionada, e o Bope comandou as negociações com o sequestrador, que acabou se rendendo. O Batalhão de Choque foi para o local e a rua ficou interditada. 

Após assaltar a farmácia e iniciar a fuga, Junior tentou roubar o táxi de Pedro Eduardo Gomes, de 51 anos. O bandido acabou ferindo o motorista, que teve corte num dos dedos da mão provocado pelo ferrolho da arma do bandido e teve que dar oito pontos no ferimento. Como não conseguiu fugir, Junior entrou na igreja, e o comparsa escapou. “Estava no sinal, e o bandido bateu na janela. Achei que quisesse informação. Abaixei o vidro, e ele anunciou o assalto. Reagi segurando a arma. Não sei como fiz isso, pois sou tranquilo”, disse Pedro.

Após duas horas, assaltante que invadiu igreja em Ipanema se entregou à Polícia Uanderson Fernandes / Agência O Dia

Na igreja havia cerca de 500 pessoas, que assistiam à missa das 16h30. Houve tumulto e correria. Enquanto tentava fugir da PM, o criminoso chegoua  trocar tiros com agentes na Rua Visconde de Pirajá.

No momento da invasão, padre Ricardo fazia a homilia (pregação do Evangelho). “Ele entrou tranquilo, sem falar nada. Foi para a frente do altar, colocou o chapéu em cima da mesa e rendeu o padre”, contou a coordenadora de acolhimento da igreja, Célia Alves.

Segundo o coordenador dos ministros da Eucaristia, Justino Carvalho, muitas pessoas permaneceram dentro da igreja com medo de que o bandido atirasse. “Ele puxou a arma, e as pessoas que estavam sentadas na frente se abaixaram e ficaram com medo de sair, mas as que estavam atrás correram. Ontem, foi a primeira missa das 16h30 que Eduardo participou. Ele é ministro na missa das 19h30”, contou Justino.

De acordo com a polícia, Junior não tem antecedentes criminais. E vai responder por roubo qualificado, tentativa de roubo com emprego de arma de fogo, tentativa de homicídio e sequestro.


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