Alunos que teriam sofrido abuso em escola serão ouvidos em ambiente especial

Delegado adotou medida para não constranger menores

Por thiago.antunes

Rio - Pelo menos dez estudantes de 10 a 16 anos de um colégio particular da Gávea, especializado em educação de deficientes auditivos, que teriam sido vítimas de abusos sexuais de um funcionário, vão prestar depoimentos nesta quarta-feira, assistidos por um psicólogo da Delegacia da Criança e Adolescente Vítima (DCAV) e um intérprete de linguagem de sinais.

De acordo com o Setor de Investigações da 15ª DP, para não constranger os menores, eles serão ouvidos em um ambiente especial, fora da delegacia. O delegado Alberto Pires Lage abriu inquérito para apurar suposto crime de estupro de vulnerável. O funcionário, que nega as acusações, já foi ouvido, assim como outros integrantes da secretaria da escola.

Nesta terça, O DIA não obteve respostas de questionamentos feitos à escola por telefone e nem por email. Na portaria, havia apenas um recado de que a diretoria não iria se manifestar sobre o assunto “por enquanto”.

Alunos terão acompanhamento de psicólogos e intérprete de sinaisPaulo Araújo / Agência O Dia

Segundo testemunhas, poucos pais levaram seus filhos à escola. “Estamos muito apreensivos e preocupados com essa situação absurda. Na porta da 15ª DP, quando minha filha (de 11 anos) viu o acusado, que também é surdo, ela teve uma crise nervosa”, lamentou X., 39. Pela manhã, um grupo de pais ameaçou um protesto em frente à instituição, mas acabou sendo recebido pela direção do colégio.

“Minha filha (14 anos) foi à aula e disse que poucos colegas apareceram. Ela afirmou que pessoas da direção estão passando nas salas e garantindo que as suspeitas sobre o funcionário, que está há mais de quatro anos trabalhando lá, não são verdadeiras”, disse Y., 45.

De acordo com pais das supostas vítimas, o crime de abuso sexual teria ocorrido nas dependências da escola. Os relatos das crianças dão conta de que o funcionário costumava trancá-las numa sala com cortinas fechadas, onde passava a acariciá-las e, com a calça aberta, também as obrigava a tocá-lo. “Minha filha passou a lavar muito as mãos e disse que ele cheirava mal”, contou a mãe de uma menina de 10 anos, que mobilizou e alertou outros pais.

Alguns estudantes passaram a não querer ir mais às aulas às segundas e quarta-feiras, justamente os dias em que o acusado trabalha no colégio. “Isso nos chamou a atenção em casa. Ela sempre amou o colégio, estudava lá desde os 2 anos”, contou a mãe de uma menina de 11 anos. “Neste lugar ela não estuda mais”, garantiu.

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