Por thiago.antunes

Rio - A afronta do tráfico a policiais de áreas com Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) teve nova série de episódios violentos em outra região da Zona Norte. Depois dos sucessivos confrontos no Complexo do Alemão, moradores do Lins viveram dois dias consecutivos de medo por causa dos tiros. Após PM ser ferido na cabeça, segunda-feira, no Lins, tiros deixaram 2,5 mil alunos de escolas públicas sem aulas nesta terça-feira no entorno do Morro São João, no Engenho Novo, e no Morro do Gambá, no Lins. Ônibus deixaram de circular na região.

O tiroteio começou por volta das 8h, na Rua Barão do Bom Retiro, uma das principais do bairro e onde funciona o Pedro II. Um carro da polícia, um de passeio e um ônibus da linha 625 (Olaria-Saens Peña) foram atingidos por disparos.

Perto da base da UPP do Lins%2C um homem armado (no detalhe) desafiava a imprensa e os policiais que estavam no localSeverino Silva / Agência O Dia

No Colégio Pedro II, cerca de 600 estudantes dos turnos da tarde e da noite tiveram que ficar em casa, assim como funcionários, de acordo com a unidade. A Secretaria Municipal de Educação informou que ontem uma escola e três creches ficaram sem atendimento à tarde, no Complexo do Lins.

A polícia reforçou o patrulhamento na região com apoio do Batalhão de Operações Especiais (Bope), desde que o PM foi baleado segunda-feira. A equipe onde o policial estava voltava de patrulhamento para checar justamente informação de que bonde estava na mata. Pelo menos 10 bandidos armados que se refugiram na mata do Morro da Cotia, divisa com o Gambá, foram vistos à noite, após o PM ser atingido, por agentes no helicóptero da corporação. Pela manhã, Bope apreendeu fuzil no São João.

Ônibus pararam de circular próximo a hospital

A polícia já sabe que o soldado Elias foi baleado por um ‘bonde’ chefiado por um adolescente de apenas 16 anos. O jovem já foi apreendido duas vezes por envolvimento com o tráfico. Já os tiros no São João foram feitos por outro grupo.

Enquanto PMs reforçavam o patrulhamento na esquina entre as ruas Cesar Zama e Vilela Tavares, no Morro do Gambá, nenhum ônibus transitou naquele perímetro até as 15h. Só carros, táxis e motos subiam a favela do Lins.

Policiais militares realizaram operação no Lins e Engenho Novo nesta terça-feira%2C após tiroteio no Morro São JoãoFoto%3A Severino Silva / Agência O Dia

“Precisei subir quatro quarteirões porque os ônibus não passam”, contou a aposentada Eliana Santos, 77, que buscava atendimento no Hospital Naval Marcílio Dias. Moradores do Morro do Gambá, saíram de casa assustados ontem. “Estou vendo o que está acontecendo para poder subir com tranquilidade”, disse uma mulher, 27, grávida de cinco meses.

Policial não apresenta melhora

No confronto de segunda-feira no Morro do Gambá, o soldado Elias Camilo, de 32, foi atingido por tiro na cabeça. Ele é lotado na UPP Camarista Méier e até a noite de ontem continuava internado em UTI, em estado grave. Um PM colega da vítima, que pediu para não ser identificado, disse à reportagem do DIA que tem se sentido desprotegido, principalmente depois que a unidade fixa (contêiner) da UPP Camarista-Méier, no Lins, foi queimada no dia 23 de fevereiro deste ano. Depois do incêndio, ele conta que o ‘patrulhamento estratégico é feito a pé, de moto ou de carro’.

Ambulante fica ferido no Alemão

Em dois confrontos ontem à tarde no Complexo do Alemão entre PMs e traficantes, um vendedor ambulante foi ferido no ombro. Segundo a polícia, ele foi socorrido à UPA local e não corre risco de vida. O primeiro tiroteio aconteceu por volta das 15h30 entre as ruas Joaquim de Queiroz e Canitar.

O patrulhamento no complexo foi reforçado por outras UPPs da região, além do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Grupamento Aeromarítimo (GAM). Por volta das 17h, na localidade conhecida como Zona do Medo, na comunidade da Fazendinha, houve nova troca de tiros e não houve feridos.

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