Hemorio lança Programa Curativo Domiciliar

Serviço, que começou como um projeto de pesquisa, vai atender em casa portadores de Doença Falciforme

Por leonardo.rocha

Rio - Um projeto de pesquisa realizado pelo Instituto Estadual de Hematologia Arthur de Siqueira Cavalcanti (Hemorio) em 2013 acaba de se transformar em um serviço permanente. A instituição lançou neste sábado, no Rio, o Programa Curativo Domiciliar, que vai visitar pacientes portadores de Doença Falciforme que apresentam lesões cutâneas (úlceras) de perna em fase aguda ou crônica. A iniciativa, inédita na rede pública do país, vai contemplar neste primeiro momento 15 pacientes que já se tratam na unidade e que sofrem com as consequências da doença. A previsão é realizar dois curativos semanais a cada um deles, totalizando 1,8 mil procedimentos por ano.

Serviço vai atender em casa portadores de Doença FalciformeAndré Luiz Mello / Agência O Dia


Presente na cerimônia de inauguração do serviço, o secretário de Estado de Saúde, Marcos Musafir, lembrou do pioneirismo do instituto na Medicina do país. "O Hemorio completa este mês 70 anos prestando bons serviços à comunidade e fazendo a diferença na área médica. Foi o primeiro banco de sangue criado no Brasil e agora passa a oferecer à população fluminense este serviço de atendimento domiciliar. Com isso, a unidade continua a ser uma referência e um exemplo para todo o país", declarou Musafir.

Para selecionar os pacientes que serão atendidos pelo Programa Curativo Domiciliar, foram levadas em conta a dificuldade do acesso do paciente ao instituto e a gravidade das lesões. "Neste primeiro momento, atenderemos 15 pessoas em suas casas, mas a ideia é aumentar esse número ao longo do ano. Todos eles serão reavaliados a cada visita e o objetivo é que as lesões diminuam ou até mesmo desapareçam. Com isso, visamos reduzir o número de internações provocadas pelo agravamento da ferida e acelerar a cicatrização da lesão, sem contar a melhoria da qualidade de vida do indivíduo.Durante o período do projeto de pesquisa que fizemos no ano passado, tivemos pacientes que estavam com feridas abertas a mais de cinco anos e com um ano de tratamento em casa a lesão fechou por completo. Decidimos implantar o projeto justamente pelas respostas positivas que tivemos", ressalta a diretora do Hemorio, Simone Silveira.

A equipe do novo programa é composta por assistente social, enfermeiro e técnico de enfermagem que vão se deslocar até a casa do paciente em carro especialmente destinado ao serviço.

Presidente da Associação dos Falcêmicos e Talassêmicos do Rio de Janeiro, Zaira Gomes da Costa, comemorou a novidade. "A criação desse serviço é fundamental para quem convive com a doença. Muitos pacientes usam muletas, cadeiras de rodas, e têm que vir da Baixada ou até de mais longe, pegando várias conduções, para fazer os curativos aqui no Hemorio dois ou três dias por semana. Agora, será possível se tratar na tranquilidade de suas casas. Existe ainda a questão social, de como a família deve lidar com esse paciente, e isso o serviço social presente nas visitas vai ajudar", declarou.

Rosilene da Silva, de 43 anos, convive com a Doença Falciforme desde que nasceu. Uma das participantes do projeto de pesquisa feito pelo Hemorio no ano passado, ela será uma das beneficiadas com a implantação do programa e continuará a receber os cuidados em sua casa, em Duque de Caxias. "Tenho que fazer uma cirurgia no fêmur, mas por conta da úlcera que tenho no pé não é possível operar. Antes de receber o atendimento em casa, tinha que pegar um ônibus que me deixava na Central do Brasil e andar a pé até o Hemorio. Era muito doloroso e sacrificante. Agora, minhas lesões estão bem melhores e sinto menos dor", contou a paciente.

A doença

A Anemia Falciforme é uma doença genética e hereditária, caracterizada por uma alteração nos glóbulos vermelhos, que perdem a forma arredondada e elástica, adquirindo o aspecto de uma foice (daí o nome falciforme) e endurecem, o que dificulta a passagem do sangue pelos vasos de pequeno calibre e a oxigenação dos tecidos. Para ser portador da doença, é preciso que o gene alterado seja transmitido pelo pai e pela mãe. Se for transmitido apenas por um dos pais, o filho terá o traço falciforme, que poderá passar para seus descendentes, mas a doença não se manifesta.

As úlceras de perna constituem uma das mais frequentes manifestações da Doença Falciforme e estão presentes em aproximadamente 8 a 10% dos portadores. São lesões crônicas e resistentes à terapia disponível, com elevadas taxas de recorrência, comprometendo a capacidade produtiva e afetando socialmente o indivíduo. Estima-se que há 60 mil indivíduos com Doença Falciforme no Brasil e o Hemorio atende aproximadamente 3,5 mil pacientes. Atualmente, 150 indivíduos apresentam a lesão e são tratados no ambulatório. São realizados cerca de 1,1 mil curativos por mês na unidade.

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