Policial morto em confronto na Mangueira é enterrado no Rio

Soldado Coelho foi atingido no tórax quando estava à frente do socorro ao soldado Ricardo Rodrigues Chaves, atingido na perna

Por tabata.uchoa

Rio - O clima era de comoção no enterro de Tiago Rosa Coelho da Silva, 30 anos, soldado da Polícia Militar morto em confronto na Mangueira, na localidade conhecida como Buraco Quente, na noite da última sexta-feira. Parentes, amigos e muitos colegas de corporação compareceram ao sepultamento com honras militares que aconteceu no Jardim da Saudade, em Sulacape, na tarde deste sábado. O soldado Coelho, lotado na UPP Mangueira desde que entrou para a Polícia Militar em 2011, foi atingido no tórax quando estava à frente do socorro ao soldado Ricardo Rodrigues Chaves, atingido na perna.

Tiago Rosa Coelho da Silva é enterrado em SulacapMaíra Coelho / Agência O Dia

Franklin Coelho Teixeira, irmão do soldado, lembrou no enterro o amor de Tiago pela profissão. "Ele era um garoto 100% em tudo que fazia. Gostava da profissão, fazia por amor", diz. Conceição Rosa de Almeida, tia do policial morto, alertou sobre o crescimento da sensação de insegurança. "A violência está cada vez pior. Os bandidos estão soltos e quem fica preso em casa somos nós. O Tiago era uma pessoa boa e gosta muito da PM", afirma.

Durante o velório, um policial que não preferiu não se identificar fez uma crítica em relação a atual política de segurança. "Policiais morrem e não mudam a tática de trabalho. O governo parece tapar os olhos para o que está acontecendo. Em menos de um ano, 219 policiais foram mortos no Rio, mais da metade em serviço. Cadê o pessoal dos direitos humanos que não aparece uma hora dessas para dar apoio à família desse policial morto? Não queria estar aqui, queria estar fazendo um churrasco junto com o Tiago, como sempre fazíamos nas nossas folgas de fim de semana", comenta.

O comandante das UPPs, Coronel Frederico Caldas, compareceu ao enterro e disse acreditar que a política de segurança segue no caminho certo. "Temos a certeza da necessidade da continuidade do processo de pacificação. Os dois candidatos ao governo apontam para a continuidade do programa de pacificação. As urnas deixaram isso bem evidentes. É uma resposta da sociedade através do voto. Mas é claro que a repetição desses episódios tão próximos das eleições acende um sinal de alerta para que tenhamos uma atenção ainda maior nessa semana que antecede o pleito de domingo", diz Caldas.

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