Pezão lamenta resgate de traficante de hospital em Niterói

Durante cerimônia da Linha 4 do Metrô, governador defendeu leis mais severas para os criminosos

Por paulo.gomes

Rio - O governador Luiz Fernando Pezão comentou nesta segunda-feira, durante a implosão do último trecho que separava os bairros de São Conrado e Gávea no túnel da Linha 4 do Metrô sobre mais uma ação audaciosa dos bandidos. Na madrugada desta segunda-feira, cerca de 15 criminosos resgataram da enfermaria do Hospital Estadual Azevedo Lima o traficante Johnny Luiz da Silva, o Bebezão. Pezão classificou com "lamentável" e aproveitou a decisão judicial que tirou o traficante do Complexo do Alemão, Edson Silva de Souza, o Orelha, da cadeia na semana passada.

O governador Pezão lamentou nesta segunda%2C durante cerimônia da Linha 4 do Metrô%2C o resgate do traficante Bebezão dentro do Hospital Estadual Azevedo Lima%2C em NiteróiBruno de Lima / Agência O Dia

"Se era um bandido de alta periculosidade, é lamentável que tenha fugido. Assim como também foi (lamentável) a Justiça soltar, depois de um trabalho árduo, o traficante do Complexo do Alemão (Orelha)".

De acordo com Pezão, é necessário haver uma discussão sobre o Código Penal. "O tráfico é problema no mundo todo, mas no Rio é um grande problema. E a gente tem que ter leis cada vez mais severas e que punam mais, que garantam que o trabalho da Polícia seja profícuo, o traficante fique preso e não tenha esse benefícios que gente vê hoje, saindo facilmente do sistema prisional", disse.

A Polícia Civil vai analisar as imagens do Hospital Azevedo Lima para tentar identificar os 15 bandidos que participaram da ação de resgate de Bebezão, que estava sos custódia. Eles invadiram a enfermaria da unidade, que tinha dois policiais militares do 41ºBPM (Irajá) fazendo a segurança, e levaram o traficante.

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Pouco antes da invasão, os bandidos mataram um subtenente da Polícia Militar, em São Gonçalo e roubaram o carro dele que foi usado na fuga de Bebezão do hospital. Celso Ilício de Oliveira, 54 anos, ele era lotado no 5ºBPM (Praça da Harmonia) e estava na Rua Expedicionário Iraci Luchina, no bairro de Santa Luzia, para deixar seu cunhado após uma pescaria.

Ao perceber que o subtenente estava com a arma entre as pernas, os bandidos atiraram matando Celso Ilício na hora. Segundo a Polícia Militar, ainda não há informações sobre a data do sepultamento. Sua esposa, Roseli Barcelos, de 41 anos, foi atingida no abdômen e encaminhada para o Hospital Estadual Alberto Torres, também em São Gonçalo, onde foi operada.

Para o resgate de Bebezão, os cerca de 15 bandidos utilizaram o carro do policial assassinado, e mais dois veículos. Os criminosos levaram 25 minutos para a realizarem toda a ação dentro do Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói. Eles foram em diversas enfermarias até localizarem o Bebezão. Na saída, os bandidos roubaram pertences de pacientes e funcionários da unidade hospitalar.

A polícia vai analisar as câmeras de segurança do Hospital Estadual Azevedo Lima para tentar identificar os bandidos que resgataram o traficante Bebezão da unidadeCarlos Moraes / Agência O Dia

Policiais da 78ªDP (Fonseca), onde o caso foi registrado, estão investigando a ação dos bandidos no Azevedo Lima. O diretor do hospital, funcionários e vítimas foram ouvidos na unidade. Além disso, a PM, através do comando do 41ºBPM (Irajá), afirma que os policiais envolvidos no caso também foram ouvidos na 2ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (2ªDPJM).

Segundo a assessoria da Secretaria de Estado de Saúde, Bebezão apresentava quadro de saúde estável e ninguém ficou ferido durante a ação dos criminosos. Ainda de acordo com a SES, após o episódio, a Secretaria de Segurança foi informada sobre o fato.

Bebezão, que seria o chefe do tráfico da comunidade do Gogó da Ema, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, participou de roubo a caminhões de entrega em outubro e acabou sendo baleado por PMs durante troca de tiros na Pavuna, na Zona Norte. Na ocasião, ele foi levado para o Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, e transferido depois para Niterói.

Além disso, Bebezão tem ligações com Celso Pinheiro Pimenta, o Playboy, chefe do tráfico do Morro da Pedreira, em Costa Barros, e um dos bandidos mais procurados do Rio.

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