Repórter do G1 é espancado  por bandidos no Complexo do Alemão

Segundo as primeiras informações, o jornalista foi levado por dois homens armados a um galpão onde foi agredido

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Doze anos após o assassinato bárbaro do jornalista Tim Lopes, da TV Globo, outro profissional da imprensa foi vítima de traficantes do Complexo do Alemão enquanto fazia uma reportagem. Henrique Soares, do site G1, foi agredido nesta segunda-feira por bandidos na comunidade Nova Brasília, quando fazia um trabalho sobre prédios invadidos. Henrique, que levou vários pontos na cabeça por conta das coronhadas, foi libertado pelos criminosos com a chegada de militares da UPP.

A equipe chegou à Avenida Itaoca pela manhã para fazer uma reportagem em uma antiga fábrica invadida por moradores. Segundo testemunhas, Henrique foi informado de que o clima era tenso por conta de tiroteio entre policiais e bandidos. As viagens do teleférico foram interrompidas por causa do confronto, que, na madrugada de ontem, deixou um policial e um morador feridos.

Um morador pediu que o jornalista fosse embora, mas, na descida, ele foi abordado por dois criminosos que o levaram para um galpão. Ainda recebeu telefonema do seu motorista, relatando que a melhor opção era sair do local, mas já estava em poder dos bandidos.

Jornalista foi resgatado por policiais de UPP e prestou depoimento na 45ª DP%2C no Complexo do AlemãoSeverino Silva / Agência O Dia

Durante 40 minutos, ficou refém dos traficantes, que achavam que seria um policial disfarçado. Foi agredido com pedaços de madeira na cabeça e nos braços, além de ter relógio e celular roubados. Segundo testemunhas, a vítima só foi libertada porque a polícia foi acionada para o local e representantes da associação de moradores confirmaram que Henrique era repórter. O jornalista foi atendido na UPA da região.

Segundo a Coordenadoria de Polícia Pacificadora, um suspeito foi pego tentando fugir da ocupação pulando o muro da fábrica. Ele foi encaminhado para a 45ª DP (Alemão) onde foi reconhecido pelo repórter como sendo um dos autores da agressão.

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, determinou empenho na identificação e prisão dos acusados. “A Secretaria de Segurança considera inadmissível qualquer ameaça à liberdade de imprensa”, diz nota enviada pelo órgão. “Pela gravidade, é preciso que haja um movimento forte de pressão política para exigir mais segurança do governo em garantir a liberdade de expressão que está sob ameaça”, alerta o cientista político e assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Maurício Santoro.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) repudiou a agressão. “Esperamos que as autoridades identifiquem os culpados para que sejam devidamente punidos”, disse o diretor-executivo Ricardo Pedreira. Presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder cobrou a ‘federalização das investigações: “Hoje elas são falhas ou não acontecem”. Schröder disse que é preciso adotar protocolos de segurança para os profissionais, que incluam equipamentos e treinamento. “Não vamos eliminar os riscos, mas podemos baixar para condições a níveis razoáveis”, defendeu.

Entidades condenam agressão e exigem Justiça

Entidades de classe se solidarizaram com o repórter Henrique Soares, condenaram a agressão sofrida por ele e cobraram a prisão dos agressores. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) afirmou que considera fundamental que os responsáveis por tal brutalidade sejam rapidamente identificados e punidos de acordo com o que determina a lei.

“É essencial, ainda, que o governo estadual tenha total transparência na apuração do caso”, disse, em nota, a associação, que se colocou à disposição do jornalista para apoiá-lo no que for necessário. O Sindicato dos Jornalistas do Rio disse que está acompanhando a família do profissional. O caso será levado, amanhã, para audiência pública, da Escola de Magistratura, para debater a segurança dos jornalistas.

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