Por thiago.antunes

Rio - O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou, nesta terça-feira, dez pessoas por envolvimento na morte de Jandyra Magdalena dos Santos Cruz, após a prática de um aborto, no dia 26 de agosto. O corpo da vítima foi encontrado carbonizado, sem os dentes e com os braços e pernas mutilados, para que não fosse identificado.

Jandyra desapareceu no dia 26%2C quando iria fazer um abortoReprodução

No documento, encaminhado pela 27ª Promotoria de Investigação Penal à 4ª Vara Criminal da Comarca da Capital, o promotor de Justiça Bruno de Lima Stibich requer a condenação dos denunciados, pelo Tribunal do Júri, em virtude da realização dos crimes de homicídio duplamente qualificado, fraude processual, destruição e ocultação de cadáver, formação de quadrilha e provocar aborto com o consentimento da gestante (outros dois abortos foram realizados na clínica clandestina no dia 26 de agosto).

Os denunciados são: Carlos Augusto Graça de Oliveira, RosemereAparecida Ferreira, Keilla Leal da Silva, Vanuza Vais Baldacine, Carlos Antônio de Oliveira Júnior, Mônica Gomes Teixeira, Marcelo Eduardo de Medeiros, Agda Pereira Iório, Jorge dos Santos Pires e Luciano Luís Gouvêa Pacheco. Caso condenados, poderão pegar pena de reclusão de até 48 anos.

Outras duas pessoas foram denunciadas por terem realizado aborto com suas respectivas autorizações, no mesmo dia 26 de agosto de 2014: Andréa Cordeiro da Costa e Ranieri Martins Medeiros.

Delegado sugere penas mais duras

Segundo informações do delegado Hilton Pinho Alonso, titular da 35ª DP (Campo Grande), em entrevista na tarde desta segunda, o ex-marido de Jandira e Kellyene serão indiciados com base no Artigo 124, capítulo 29, que criminaliza o aborto. A pena pode ser de ser de 2 a 3 anos e compreende também quem compactua com a prática do abort

Para o delegado Pinho, a quadrilha do aborto de Campo Grande só foi desmontada por causa da morte de Jandira. Muitos dos membros da equipe já tinham passagem na polícia por aborto, como Rosemere e Carlos Augusto. “Eles são facilmente soltos porque a legislação prevê penas leves (três anos de cadeia). O problema está na lei. Ou se aceita o aborto ou se pune mais severamente os que praticam”, disse o policial.

Foragidos

Dos dez apontados como membros da quadrilha que praticava abortos na Zona Oeste, oito já estão presos. Keilla Leal da Silva, que atuava como enfermeira e anestesista da clínica e Ágda Pereira, faxineira, estão foragidas. Na época, Ágda foi solta porque a Justiça entendeu que ela não representava nenhum risco e tem deficiência mental.

O crime

Segundo o delegado responsável pelo caso, a reconstituição do caso indica que Jandira teria feito o aborto e, em seguida, teria começado a inchar e a ficar roxa, apresentando um quadro de hemorragia. O médico e uma enfermeira tentaram ressucitar a jovem por 30 minutos e não conseguiram. Entre 11h e meio-dia eles levaram Jandira no porta-malas do carro para um sítio, em Campo Grande, com ajuda de um miliciano conhecido como Shrek.

Shrek fez contato com o caseiro do sítio, chamado Jorge Gagá, também ligado à milícia de Rio da Prata. Lá, os criminosos tiraram as impressões digitais, as pernas e os braços, a arcada dentária, e deram um tiro na cabeça de Jandira. Uma das hipóteses é que teriam dado a perna e o braço da vítima para os porcos do sítio comerem. O que restou do corpo eles levaram para a estrada e colocaram dentro do carro e atearam fogo.

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