'Não somos justiceiros, somos policiais', diz comandante da PM em solenidade

Coronel Íbis Silva discursou para 596 novos soldados e se comprometeu a melhorar condições de trabalho na corporação

Por thiago.antunes

Rio - O comandante geral da Polícia Militar, coronel Ibis Silva Pereira, fez um discurso firme e direto para os 596 soldados durante a solenidade de formatura dos novos recrutas no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap), em Sulacap, na manhã desta sexta-feira. "Não somos justiceiros, somos policiais. A resposta que os criminosos precisam virá, mas sem rasgar nossas leis e nossa constituição. A partir de hoje, vocês são minha responsabilidade e vou cuidar de vocês", disse Silva, sendo muito aplaudido pelos familiares e policiais militares presentes.

GALERIA: Polícia Militar forma quase 600 novos soldados

Entre os formandos, estão 535 homens e 61 mulheres. Esta é a penúltima turma de alunos aprovados no concurso realizado em 2010. A próxima formatura será em dezembro, com 402 alunos. Sobre as condições de trabalho dos PMs, alvo de críticas internas, Ibis foi sucinto. "Sei que as condições de trabalho não são dignas, mas me comprometo trabalhar para mudar isso", afirmou.

Durante o discurso na formatura dos novos soldados da PM%2C o comandante da corporação%2C coronel IIbis Silva Pereira%2C disse que cuidará dos policiaisFernando Souza / Agência O Dia

Índice de baixas preocupa

O discurso do coronel Íbis Silva evidencia dados alarmantes. A morte do soldado Anderson Sena Freire, na madrugada de quarta-feira, em Guadalupe, fez o Rio chegar a um índice preocupantes: em cada um dos últimos 11 meses, em média, nove policiais militares foram assassinados — 85 em dias de folga e 18 em serviço, de janeiro até às 21h de quarta. Em 2013, 111 agentes morreram assassinados.

Lotado no 41º BPM (Irajá), Anderson foi baleado na cabeça durante um ataque de bandidos. O colega dele, o soldado Bruno de Moraes, foi ferido no ombro.

Quase 600 soldados da Polícia Militar se formaram nesta sexta-feira no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap)%2C em SulacapFernando Souza / Agência O Dia

De acordo com o Serviço Reservado do batalhão, os dois PMs encerrariam o serviço à 1h e retornariam para a unidade. Quando passavam pela Avenida Brasil, foram atacados por ocupantes de um Fiat Punto prata. Segundo testemunhas, os bandidos desceram do veículo disparando. Pelo menos três tiros perfuraram o vidro dianteiro e a lataria da viatura. Surpreendidos, os policiais não tiveram tempo de reagir e acabaram baleados.

Após os disparos, os bandidos fugiram pela Rua Luiz Coutinho Cavalcanti. A via dá acesso às comunidades do Muquiço e da Palmeirinha. O local do crime fica a nove quilômetros da Rua Vigilante Fortunato, em Bangu, onde foi abandonado o corpo do soldado Ryan Procópio, torturado e morto 24 horas antes. A Divisão de Homicídios também assumiu as investigações sobre o ataque aos policiais em Guadalupe.

No Centro, outro PM foi vítima de tiro na madrugada de terça. O sargento do 5º BPM (Praça da Harmonia), que não teve o nome divulgado, foi ferido quando abordava um motociclista na Rua do Livramento. O suspeito atirou contra o policial e fugiu. A bala atingiu o cinto do PM, que amorteceu o disparo, e ficou alojada na musculatura.

A vítima foi encaminhada para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio, onde foi operada e liberada. De acordo com policiais do batalhão, o cinto, que é obrigatório no uniforme, pode ter salvo a vida do sargento. Eles alegaram que o acessório diminuiu a pressão da bala e evitou que o ferimento fosse mais profundo.

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