Por thiago.antunes

Rio - “Hoje todo o sustento da minha família vem da moto”, conta o mototaxista Renato de Carvalho Cruz, 35 anos. Ele é um entre os muitos microempreendedores que decidiram apostar no setor de transportes públicos e viram seu investimento inicial se multiplicar nos últimos anos. Além do mototáxi, há outras oportunidades no setor, desde os tradicionais rádio-táxis, até aluguel de bicicletas e transporte para turismo, por exemplo.

O número total de pontos de mototáxi no Rio subiu de 300 em 2013, para 347 no início deste ano, segundo Aluízio Brás, presidente da Associação dos Motociclistas (Amo-RJ). O mototaxista Renato trabalha no Cantagalo, Zona Sul da cidade, desde 2006, e diz que esse crescimento se deve à maior aceitação por parte da sociedade.

“Antigamente, a gente atendia mais as pessoas do morro, que usavam a moto para subir. Mas hoje muita gente da rua pega mototáxi para fugir do trânsito. Aumentou muito o número de corridas para o Centro”, diz ele, que sustenta a mulher e três filhos com o trabalho.

Renato Cruz sustenta a esposa e três filhos trabalhando como mototaxistaMauro Pimentel / Agência O Dia

O mototaxista Adriano José de Aquino, 44 anos, no ramo desde 2003, lembra que ser o próprio patrão tem suas vantagens e desafios. “Eu optei por esse trabalho porque queria ser independente. Mas para ganhar, tem que trabalhar, porque não é um dinheiro certo. Quando tenho um dia bom, em que ganho muito, eu guardo, porque no outro dia pode não ter tanto movimento”, explica ele.

O mesmo acontece com o taxista Valmir Barbosa Costa, 32. Ele trabalhava como motoboy, mas, quando a esposa ficou grávida, decidiu optar por um emprego mais seguro, com menos riscos de acidentes. Em 2006, entrou em uma cooperativa de rádio-táxi. “O retorno costuma ser bom, mas é um dia pelo outro. Tem que guardar, porque nunca se sabe como será o amanhã”, diz. Agora, o objetivo de Valmir é conseguir sua autonomia. “Quero deixar de pagar diária para o dono do táxi. Assim, meus ganhos vão aumentar”, avalia ele.

O trânsito cada vez mais caótico também abriu novas oportunidades relacionadas a transporte alternativo, como as bicicletas. Além do Itaú, algumas lojas de consertos já oferecem o serviço de aluguel. Mas, para Ricardo Wargas, gerente de Soluções e Inovação do Sebrae/RJ, o fato de esse ser um segmento novo exige dos empreendedores certos cuidados.

Para o taxista Valmir Barbosa%2C é importante ter fluxo de caixaMauro Pimentel / Agência O Dia

“O sistema de aluguel de bicicleta está sendo muito estimulado pelas prefeituras e, com o aumento das ciclovias, tem chegado com força no país. Muitas pessoas preferem alugar a comprar, pois têm pouco espaço nos apartamentos. Mas por ser um mercado novo, está sujeito a várias reações. Por isso, fazer um plano de negócios e pesquisar esse setor é fundamental”, diz.

Dicas para empreender

Professor de empreendedorismo do Ibmec/RJ, Thiago Almeida afirma que o mais importante para esses microemprendedores é reservar um tempo para a gestão do negócio. “Geralmente essas pessoas dedicam 95% do tempo a prestação de serviços e acabam negligenciando tarefas gerenciais, relacionadas a controle de despesas e dos ganhos”, explica.

Segundo ele, é fundamental ter capital de giro para usar quando o mês não rende tanto quanto deveria. Além disso, o ideal é fazer uma poupança para usar quando for preciso trocar o carro ou a moto, e até mesmo fazer consertos.

O professor chama a atenção ainda para a questão do atendimento. “No Brasil, o setor de serviços é muito deficiente no relacionamento com o cliente. Quem melhora esse nível consegue ser mais competitivo. Conhecer os clientes pelo nome e ser educado são formas de fidelizar as pessoas”, ensina Thiago Almeida.

Ricardo Wargas, gerente de Soluções e Inovação do Sebrae/RJ, afirma que, para o empresário no ramo de transportes para turismo, ter conhecimento de outros idiomas também é essencial. “Manter o site atualizado ajuda a conseguir novos clientes. Hoje em dia, usar as redes sociais também é bastante importante”, avalia.

Mototaxistas aguardam regulação

Cinco anos depois de ser sancionada a profissão de mototaxista no Brasil, no Rio de Janeiro esse serviço ainda não é regulamentado pela prefeitura. A exceção são os mototaxistas que atuam em comunidades de áreas pacificadas, como Rocinha e Cantagalo, por exemplo.

Para serem legalizados, eles precisam ser cadastrados nas Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), usar um colete de identificação e não possuir antecedentes criminais. Já a lei determina que, para exercer a atividade, o motociclista precisa ter no mínimo 21 anos, habilitação na categoria A (motos) há pelo menos dois anos e curso de especialização.

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