Força de Jorge Picciani mina as chances de Melo no TCE

Presidente regional do PMDB articula para impedir indicação do desafeto ao tribunal

Por thiago.antunes

Rio - O ano de 2014 não está fácil para o deputado estadual Paulo Melo (PMDB). Embora reeleito para mais quatro anos, ele vive seus últimos dias como presidente da Casa sem chance de reeleição em 2015. Sua opção — conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) — não se tornará realidade: cada vez mais isolado no PMDB, Melo verá seu partido apoiar o deputado Domingos Brazão à cadeira.

A “fritura” é comandada pelo presidente regional do PMDB, Jorge Picciani, que, prestes a voltar à Casa, já articulou para assumir a Presidência. Além disso, é o responsável pela implosão da candidatura de Melo ao TCE — os mesmos deputados que o levarão à Presidência, devem colocar seu aliado, Domingos Brazão, no órgão responsável por fiscalizar as contas do Estado do Rio.

Apoio à reeleição de Dilma%2C contra vontade de Picciani%2C selou futuro do deputado Paulo Melo no PMDBErnesto Carriço / Agência O Dia

O futuro presidente da Alerj não esquece e nem perdoa quem não embarca em seu barco. Em abril, começou a articular o movimento ‘Aezão’, de parlamentares que se engajariam pela reeleição do governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) e pela eleição do senador Aécio Neves (PSDB - MG) à Presidência. Melo manteve-se fiel à presidenta Dilma Rousseff, que acabou reeleita, agravando seu isolamento.

Embora Pezão tenha se mantido ao lado da petista, Picciani não engoliu a ausência de Melo no seu projeto, e, quando pode, “fritou” o colega de legenda. Brazão, por outro lado, soldado fiel do Aezão, terá a estrutura do grupo mais forte do PMDB para conquistar apoio na Alerj e ir para o TCE.

Mas conselheiros do órgão preferem um deputado com perfil “bom-moço”, sem o estilo brigador de Brazão. Sem poder de voto, restará a eles fazer lobby para tentar colocar Edson Albertassi no Tribunal. O deputado foi um dos idealizadores do ‘Aezão’ e não encontraria dificuldades para obter unidade em torno de seu nome.

Os postulantes à vaga preferem não polemizar até março de 2015, quando deverá ser realizada a eleição para o TCE. “Sou candidato. Todo mundo tem o direito de concorrer”, afirmou Melo. Já Brazão se disse “feliz por ser lembrado para o cargo”. “Quando abrir a vaga oficialmente, aí a gente senta e conversa”, despistou.

O TCE é assunto recorrente nos corredores da Alerj, e já foi tema de CPI, presidida pela deputada Cidinha Campos (PDT), adversária histórica de Brazão. Para chegar lá, os peemedebistas, além da influência política, precisarão provar idoneidade moral, reputação ilibada e notório conhecimento.

Almoço confirma o isolamento do presidente da Alerj

Os caciques do PMDB se reuniram ontem no Hotel Windsor, em Copacabana, para celebrar a candidatura do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB) à presidência da Câmara. Paulo Melo chegou cedo e movimentou-se o tempo todo pelo salão, quase sempre sozinho.

Serviu-se rapidamente do almoço oferecido pelo deputado federal Leonardo Picciani e comeu solitário em uma mesa, enquanto Pezão, Eduardo Paes, Pastor Everaldo, presidente do PSC, e a deputada federal Cristiane Brasil, presidenta do PTB, exaltavam Cunha. “Ele já se despediu quatro vezes, olha só...”, disse um peemedebista sobre o isolamento de Melo.

Brazão ficou algumas mesas ao lado, acompanhado de assessores e deputados. Próximo ele estavam os deputados recém-eleitos Carlos Roberto Osorio e Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral Mais tranquilo, acompanhou as falas a favor de Eduardo Cunha antes de almoçar.

Após o discurso do candidato do PMDB à presidência da Câmara, Melo e Brazão deram um abraço, cercados por outros parlamentares. Quando começaram a conversar, foram interrompidos por uma assessora de Pezão: “vamos logo, deputado”. E, provando que no PMDB até o isolamento é relativo, Melo seguiu com o governador.

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