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Prédio erguido pela milícia começa a ser demolido em Rio das Pedras

Após denúncia do DIA, a Secretaria de Ordem Pública deu início à derrubada do edifício que já estava no terceiro andar

Por nicolas.satriano

Rio - Sem licença da Prefeitura do Rio, um prédio erguido pela milícia na comunidade de Rio das Pedras, em Jacarepaguá, como mostrou o DIA no último domingo, começou a ser demolido na manhã desta terça-feira. Durante a ação, não houve nenhum ato de represália. A ação deve durar ao menos duas semanas para todo o imóvel ir abaixo.

"Os dois últimos andares serão destruídos com marretas pelos operários. Em seguida, os outros dois primeiros pavimentos serão demolidos com a ajuda de uma retroescavadeira", informou o subsecretário municipal de Ordem Pública Marcelo Maywald. A Secretaria Municipal de Urbanismo informou que vai intensificar a fiscalização.

Entenda: Obra de milícia vence fiscalização de subprefeitura em Rio das Pedras

Seop vai levar duas semanas para demolir prédio erguido em dois meses pela milíciaSeverino Silva / Parceiros / Agência O Dia

O prédio, de oito apartamentos e duas lojas comerciais, foi interditado no início da tarde de segunda-feira pela Defesa Civil, após vistoria das secretarias de Urbanismo e Ordem Pública. Funcionários do município e agentes da Polícia Militar vigiariam o edifício durante a madrugada para evitar ocupação de moradores ou milicianos.

O imóvel, que fica na Via Light, na entrada da comunidade, foi erguido com apenas 54 dias de trabalho. Os imóveis já estavam sendo vendidos. Um quinto pavimento ainda seria construído. Com obras aceleradas, em apenas dez dias o prédio ganhou quatro portões de aço e azulejos brancos na fachada. No varal, roupas que devem ser dos pedreiros.

A operação envolve cerca de 40 homens divididos por agentes da Seop, Defesa Civil, Polícia Militar, Guarda Municipal, e funcionários da Secretaria Municipal de Conservação, de Urbanismo, da Light e Cedae.

Moradores da região continuam alegando que a área pertence ao tenente reformado da PM Maurício Silva da Costa, o Maurição. Ele é investigado por homicídios e condenado por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Maurição é ‘xerife’ da milícia, e nenhuma obra é tocada na comunidade sem a assinatura do chefe. Um homem conhecido como Cabeludo seria responsável pela construção. Até o momento, ninguém apareceu para reclamar O empreendimento.

O imóvel foi descoberto após moradores denunciarem a obra à prefeitura em novembro do ano passado. Com a publicação da reportagem, a Prefeitura enviou ao local técnicos.

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