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'Ou o PT muda, ou vai acabar no Rio. A solução é o Freixo', diz Robson Leite

Ex-deputado afirma que aliança de esquerda com Psol é fundamental para eleições de 2016

Por thiago.antunes

Rio - Caiu como uma bomba no PT a entrevista da senadora Marta Suplicy, ao jornal ‘O Estado de S. Paulo’, no domingo, em que ela afirma que “ou o partido muda, ou acaba”. No Rio, a situação é a mesma, avalia o ex-deputado estadual Robson Leite. Membro da direção nacional da Democracia Socialista, corrente petista fortalecida no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, ele diz que a única saída para o PT do Rio é romper de vez com o PMDB.

Para evitar o fim do PT na capital, a solução é apoiar o deputado estadual Marcelo Freixo, do Psol, nas eleições municipais de 2016, compondo uma frente de esquerda como a que possibilitou a vitória de Dilma no Rio no segundo turno das eleições de 2014.

'Ou o PT muda%2C ou vai acabar no Rio. A solução é o Freixo'%2C diz Robson LeiteDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

O DIA: A Marta Suplicy foi incisiva ao dizer que ou o PT muda, ou acaba. É isso mesmo?

Robson: Tenho esse sentimento no PT do Rio. Tínhamos um grande equívoco, que era participar do governo do Sérgio Cabral. Defendi o rompimento, que veio com a candidatura do Lindbergh Farias, a qual tenho muitas críticas, mas que foi histórico nesse sentido do rompimento. E agora nossa grande contradição é seguir no governo, desta vez na capital. No caso da Marta, ela bateu no Juca Ferreira. Ao lado do Gilberto Gil, os dois foram os ministros da Cultura que promoveram o reencontro do Brasil com sua história. Ela está completamente equivocada.

No caso dos parlamentares do Rio, a maioria não esconde que vê com bons olhos um retorno ao PMDB, agora com Pezão.

O partido não pode estar subjugado a interesses parlamentares. A deliberação que a executiva estadual tirou, de não participação do governo Pezão, vai ao encontro do projeto de PT que eu acredito. Que os parlamentares tenham juízo, para pensarmos em 2016 com um projeto de esquerda para cidade.

A ideia de unidade da esquerda também apareceu durante a campanha do Lindbergh Farias. O que deu errado?

Foram diversos erros de condução da campanha. E uma contradição grande: se o Lindbergh pergunta ao Pezão ‘onde está o Amarildo?’, pergunta feita pelo Tarcísio Motta (Psol) no debate, a resposta seria: “pergunte ao secretário de Assistência Social”, que era do PT. Isso a gente precisa corrigir.

E como seria esse projeto para 2016?

Precisamos nos recuperar aqui no Rio. E isso significa apoiar o deputado estadual Marcelo Freixo, do Psol, para prefeitura em 2016. Vejo com muito bons olhos a gente fazer uma composição, lançar o nome do vice, compor aliança de esquerda. Vai dar certo? Depende do Psol, que precisa entrar para ganhar, e não para marcar posição. Ouso dizer que o Freixo também quer construir este projeto conosco. Ele é um dos grandes quadros da esquerda nacional. Quero repetir em 2016 o clima do segundo turno em 2014, quando a esquerda se uniu para reeleger a presidenta Dilma.

O atual vice-prefeito, Adilson Pires, já colocou algumas vezes o nome como candidato à prefeitura em 2016. Ele está dentro deste projeto de esquerda?

Colocar o nome qualquer um pode colocar, agora dizer que é candidato...Quem definirá o candidato é a base. Fazer esse tipo de colocação é a mesma prática que a Marta Suplicy fez em São Paulo e agora condena. O Rio vive um ciclo de submissão do interesse público ao interesse privado, e o Adilson faz parte. Ele é bem intencionado, mas é como um bombeiro apagando incêndio. Quem causa o fogo é o seu chefe, o prefeito Eduardo Paes. Ele tem muita identidade com o PMDB. Se o Freixo não fechar com a gente, o caminho natural é lançar o deputado federal Alessandro Molon.

Hoje, o prefeito Eduardo Paes goza de prestígio com o PT nacional, pois não foi da ala do PMDB que apoiou Aécio Neves, e fez campanha para Dilma. Isto pode ser um entrave ao seu projeto de unir PT e Psol?

Acredito que não, pois o PT também tem uma dívida de gratidão com o Marcelo Freixo. Fui com ele para rua fazer campanha pela Dilma.

Considerando o quão difícil foi separar o PT do PMDB no estado, como você acha que será esse possível rompimento na capital?

Vai ser muito difícil, mas conseguimos no estado. Vou me debruçar sobre isso, que tenhamos o Freixo junto conosco, num projeto de esquerda.

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