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Secretário diz que versões de vítimas sobre acidentes não foram confirmadas

Colisões envolvendo ônibus do BRT deixaram 150 feridos

Por thiago.antunes

Rio - O secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani disse, nesta terça-feira, que várias versões foram apresentadas em depoimentos sobre os acidentes com os ônibus do BRT, mas nenhuma delas já foi confirmada pelo consórcio ou pela polícia.

O passageiro Adriano Martins Melo, de 31 anos, disse que o ônibus que causou o segundo acidente seguia lotado, em alta velocidade e uma das portas estaria entreaberta. “O motorista parecia estar brigando com alguém pelo celular, um descuido dele e eu machuquei a mão e bati muito forte com o peito. Poderia ter sido mais grave.” O mensageiro Wellington dos Santos, 19 anos, dormia no momento do acidente. “Foi um susto muito grande. Acho nem não vou mais conseguir dormir no ônibus.”

Bombeiros socorreram os passageiros nos locais dos acidentes%2C e alguns feridos foram levados ao hospital em ônibus do consórcio BRTReprodução

Civil investiga

A Polícia Civil investiga as causas dos dois acidentes envolvendo quatro ônibus do BRT Transoeste, que deixaram 150 pessoas feridas na manhã desta sexta-feira. De acordo com passageiros, uma das colisões pode ter acontecido porque um dos motoristas estaria falando ao celular. As batidas aconteceram em estações próximas, entre a Ilha de Guaratiba e o Recreio dos Bandeirantes, em um intervalo de apenas 30 minutos.

Rayane Almeida e Luiz Antonio Nascimento tiveram a perna imobilizadaCarlos Moraes / Agência O Dia

De acordo com o Consórcio BRT, o primeiro acidente aconteceu por volta das 7h30, na Avenida das Américas, próximo à estação Pontal, no Recreio, na pista que seguia para a Alvorada. Neste acidente, bombeiros do quartel da Barra da Tijuca socorreram 30 feridos.

Após ser levada ao Hospital Lourenço Jorge, na Barra, Rayane da Silva de Almeida, de 21, que teve ferimentos leves e a perna imobilizada, contou que estava no ônibus que bateu atrás de outro coletivo próximo à estação do Pontal. “O motorista contou na hora que o ônibus da frente parou de repente e o freio não conseguiu segurar”, disse ela.

Os outros dois ônibus articulados bateram a duas paradas de distância, cerca de meia hora depois, perto da estação Ctex, na Avenida Dom João VI, em Pedra de Guaratiba, também no sentido Alvorada. Esta colisão deixou 120 feridos, segundo os bombeiros. Neste caso, passageiros contam que o motorista estaria falando ao celular. “O motorista do ônibus da frente parou no sinal, mas o que eu estava, que vinha atrás, estava falando no telefone e não viu”, contou o passageiro Wuarlen Fonseca, de 32 anos.

Os feridos foram carregados, em um ônibus cedido pelo Consórcio BRT, com ferimentos leves até o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, também houve atendimentos no Hospital Miguel Couto, no Leblon. Todos sem gravidade. Desvios foram montados para desafogar o engarrafamento, e a pista só foi completamente liberada às 10h25.

Rafael Picciani afirmou que a câmera do ônibus que causou o segundo acidente não captou imagens do motorista. Apenas os passageiros foram filmados. Segundo ele, o contrato da prefeitura com o Consórcio BRT não determina que as câmeras fiquem voltadas para os condutores. Picciani classificou as colisões como falhas “gravíssimas” e “inadmissíveis”.

“Se durante o processo de investigação ficar comprovada a necessidade de geração de imagem simultânea do motorista e dos passageiros, é uma medida a se pensar a adotar daqui para frente. Todas as medidas necessárias para que isso não volte a acontecer serão tomadas pela prefeitura”, prometeu.

Adriano Martins%2C com as radiografias%2C diz que motorista usava celularCarlos Moraes / Agência O Dia

Na entrevista coletiva concedida ontem à tarde, o secretário informou que o Consórcio BRT e a Polícia Civil devem detalhar as causas dos acidentes até esta quinta-feira. Em nota divulgada logo depois, a assessoria de imprensa da secretaria comunicou que o consórcio foi notificado a apresentar os esclarecimentos em até cinco dias. Picciani ressaltou ainda que o motorista poderá perder a carteira de habilitação se ficar comprovado o uso do celular no momento do acidente.

O Consórcio BRT alegou que irá esperar o laudo da perícia sobre as causas dos acidentes, feita pela Polícia Civil, para tomar as atitudes cabíveis. Os acidentes ocorreram oito dias após a colisão entre dois trens da Supervia deixar mais de 200 feridos em Mesquita.

Dois ônibus articulados do BRT Transoeste colidiram na Avenida das Américas%2C no RecreioSeguidor %40Arle_rj

Defensoria: indenizações às vítimas

A Defensoria Pública do Rio vai se reunir às 15h desta quarta-feira com representantes do Consórcio BRT e das viações Jabour e Pégaso (operadoras dos ônibus envolvidos). A intenção é garantir o pagamento de indenizações às vítimas, a exemplo do acordo que fez com a SuperVia para ressarcir os mais de 200 feridos na colisão entre dois trens, na semana passada.

O órgão iniciou, na tarde desta terça-feira, o processo de indenização de cinco vítimas do acidente nos trens, que aconteceu na estação Presidente Juscelino, em Mesquita. A partir de quarta, o Núcleo de Defesa do Consumidor vai atender 15 assistidos por dia que tiverem agendado atendimento. Até esta terça, 50 pessoas já haviam entrado em contato. Os interessados devem telefonar para 2868-2100 (ramal 297) e agendar o atendimento na sede da Defensoria. As vítimas devem estar com o boletim de atendimento do hospital em mãos para informar os dados. As quantias das indenizações não foram informadas.

Colaborou Daiene Mendes

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