Estado fecha centros sociais em comunidades

Programa Centros de Referência da Juventude atendia milhares de jovens e era considerado vitrine de comunidades com UPP

Por nicolas.satriano

Em plenas férias escolares, a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Rio (Seelje) fechou — ou suspendeu a programação — de ao menos 11 de seus Centros de Referência da Juventude (CRJ), localizados, na sua maioria, em comunidades.

A decisão atinge um público que não tem muita opção de lazer e que ficará sem cursos, como o de pré-vestibular e pré-técnico, e atividades esportivas e culturais. Pelo menos cinco mil pessoas devem ser atingidas diretamente. O cálculo leva em consideração a demanda da unidade de Duque de Caxias, a mais nova unidade criada e atende 500 jovens.

Centro de Referência da Juventude%2C inaugurado em 2009%2C em Manguinhos%2C fechado%3A secretaria alega buscar parcerias para programaFernando Souza / Agência O Dia

Em Manguinhos, uma das comunidades pacificadas, o fechamento do centro preocupa os moradores. “Ali funcionava um curso de MMA que tinha ex-traficantes jovens como frequentadores. Isso era importante porque ajudava na luta contra as drogas. À noite, em frente ao Centro, você não vê mais jovens saindo das atividades. Agora, ficam grupos lá fumando maconha”, disse a dona de casa Renata (nome fictício), de 25 anos. O primeiro CRJ foi inaugurado no Morro da Providência. No Complexo do Alemão, o polo funciona em uma das estações do teleférico da comunidade.

Comandada por Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sérgio Cabral, que criou o programa, a secretaria alegou que a medida é para “buscar parcerias, novas tecnologias e cursos para atender às necessidades do programa (...) para otimizá-lo e, assim, ir ao encontro dos desejos e expectativas da juventude”.

De acordo com a nota da secretaria, “o resultado dessa busca permitirá um CRJ com mais iniciativas e melhores oportunidades oferecidas, preferencialmente, para jovens de 15 a 29 anos.”

Cartaz na porta da unidade orienta a procurar outro local%3A demissõesFernando Souza / Agência O Dia

Seelje não esclareceu quantas pessoas eram atendidas e se haverá alguma substituição de equipamento esportivo nas comunidades. As crianças estão em férias escolares, período em que é muito importante a dedicação a atividades físicas e culturais.

Sem verba nem data para contratar

Os funcionários dos centros de referência serão demitidos. De acordo com a Secretaria de Esporte, Lazer e Juventude do Rio o problema é que esses polos ficam com a Secretaria de Assistência Social e, por isso, os contratos eram feitos por aquela pasta.

Com a migração de responsabilidade, neste mês, com a chegada de Marco Antonio Cabral, será preciso refazer os convênios com a nova gestão. Isso, no entanto, não tem prazo previsto para acontecer. Vai depender da abertura de orçamento para o Esporte e Lazer.

Sem data para voltar a funcionar, os centros já foram considerados uma das políticas importantes do Estado e vitrine nas comunidades onde há instalação de UPPs. Quando a unidade de Manguinhos foi inaugurada, em 2009, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve presente à cerimônia e disse que o local, então abandonado, teria um futuro animador: “Isso aqui vai ser a cara da Copa do Mundo de 2014”, disse ele, na época.


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