Os novos espaços de arte e música na cidade olímpica

Rio vai ganhar dois novos museus, e parques olímpicos deixarão importante legado

Por karilayn.areias

Rio - O Rio de Janeiro chega ao 450º aniversário com o olhar voltado para o futuro, sem deixar de valorizar sua herança histórica. O passado renasce nas âncoras culturais e urbanísticas da Zona Portuária, e o futuro chega grandioso nos espaços abertos na orla em direção à Barra da Tijuca e aos Jogos Olímpicos de 2016.

O prédio da Cidade das Artes%2C na Barra%3A audácia na arquiteturaCarlo Wrede / Agência O Dia

No reencontro da área central do Rio com o mar, um dos destaques é o Museu do Amanhã, que está sendo erguido na região do Porto. Seguindo a concepção do controvertido arquiteto espanhol Santiago Calatrava, o projeto prevê a implantação no Pier Mauá de 30 mil metros quadrados de jardins, com espelhos d’água, ciclovia e uma área de lazer.

O prédio principal terá 15 mil metros quadrados e se valerá de recursos naturais, como a água da Baía de Guanabara, que vai ser utilizada na climatização do interior do museu. No telhado haverá placas para possibilitar a captação de energia solar.

Depois da derrubada da Perimetral, a inauguração do Museu do Amanhã vai alavancar de vez a revitalização da Zona Portuária. A ideia é que seja um dos pioneiros na nova geração de museus que estão sendo instalados em vários países, voltados não somente para o passado, mas para explorar possibilidades futuras.

“Por muito tempo, a cidade permaneceu separada de uma de suas partes mais importantes, o porto. Vamos ajudar o carioca a se reaproximar da região”, diz o diretor do Museu do Amanhã, Luiz Alberto Oliveira.

Também voltado para o mar, o imponente prédio novo do Museu da Imagem e do Som (MIS), com 9,8 mil metros quadrados em estilo para lá de contemporâneo, muda o cenário de uma das praias mais famosas do mundo, a de Copacabana. Dará novos ares a uma área antes marcada por uma casa noturna decadente.

Para o Calçadão de Copacabana será transferido um acervo de 30 coleções, 304.845 documentos, 93 mil fotografias e 60 mil discos. O colosso, que deve ficar pronto ainda neste semestre, também vai guardar mais de mil depoimentos de personalidades da cultura.

“A instituição mostra a carioquice em memória através da criatividade do povo do Rio, seus compositores e cantores, seus fotógrafos e também cineastas”, diz a presidente do MIS, Rosa Maria Araújo.

O Museu de Arte do Rio (MAR), localizado no velho coração da cidade, também nasceu em 1º de março, assim como o Rio. Em dois anos, caiu no gosto do carioca com seus 15 mil metros quadrados e suas oito grandes salas de exposições. “Em pouco tempo de existência, mostramos que é possível estabelecer novas relações entre o passado e o presente”, acredita o diretor da instituição, Carlos Gradim.

Na Barra, a audácia arquitetônica da Cidade das Artes emergiu em um recanto onde não havia nada além de pistas de asfalto e canteiros acanhados de grama. Inaugurada há pouco mais de dois anos, tornou-se referência cultural para a região.

As obras que reconstroem o Rio para a Olimpíada do ano que vem tornaram a rotina do carioca uma corrida de obstáculos, mas os sinais de que terá valido a pena começam a chegar.

A VEZ DOS ESPORTES

Os parques olímpicos da Barra e de Deodoro vão mudar ainda mais a paisagem.Na Barra, uma das intervenções mais arrojadas é o Parque Olímpico, com 1,18 milhão de metros quadrados, onde antes funcionava o Autódromo de Jacarepaguá e existia a comunidade Vila Autódromo.

Ali serão realizadas competições de basquete, judô, tae kwon do, luta-livre, luta greco-romana, handebol, tênis, ciclismo de pista, polo aquático, natação, nado sincronizado, ginástica artística e várias outras modalidades esportivas. As instalações terão capacidade para receber até 120 mil pessoas.

A desocupação das casas da comunidade ainda rende discussão, mas a maior parte dos moradores já se mudou para imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida. Em muitos casos, os equipamentos olímpicos construídos no local serão transformados ou abertos para uso da população após os Jogos Olímpicos.

No espaço da Arena do Futuro, por exemplo, o carioca terá quatro escolas municipais, um centro de esportes aquáticos e oito quadras do Centro de Tênis.

O Parque Olímpico de Deodoro será palco de 11 modalidades olímpicas e quatro paralímpicas. Após o megaevento, parte da área do Complexo de Deodoro também ficará como legado. Batizada de Parque Radical, a área se transformará no segundo maior espaço de lazer da cidade, atrás apenas do Parque do Flamengo. Com cerca de 500 mil metros quadrados, a instalação de Deodoro contará com o circuito de canoagem slalom e a pista de ciclismo BMX, que serão mantidos para o uso daqueles que mais comemoram o dia de hoje: os cariocas.

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