Por tabata.uchoa

Rio - Em meio às denúncias da Lava Jato, duas manifestações prometem ganhar as ruas do Rio esta semana. A primeira delas, pró-governo, vai acontecer na sexta-feira, dia 13, no Centro. A outra, contra Dilma, será no próximo domingo, dia 15, na Zona Sul.

Integrantes da UJS vão participar do protesto contra a 'escalada da intolerância e do golpismo entre aqueles que querem o impeachment'Fabio Gonçalves / Agência O Dia


Patrocinado pela Central Única dos Trabalhadores, o ato do dia 13 é uma resposta aos movimentos que pedem a saída da presidenta. Inicialmente, a passeata iria questionar medidas tomadas pelo governo que podem afetar trabalhadores, além do ajuste fiscal feito pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mas a grita contra Dilma alterou a proposta. “A motivação mudou, por conta da escalada da intolerância e do golpismo entre aqueles que querem o impeachment”, explica Daniel Iliescu, presidente da União da Juventude Socialista. O ato é puxado por movimentos sociais, grupos de mídia independentes e sindicatos.

Uma das bandeiras do ato de sexta-feira é a reforma política. Candidato derrotado à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Iliescu argumenta ter sentido “na pele” a necessidade de mudanças na área eleitoral. Por isso, ele diz que o ato do dia 13 pedirá o fim do financiamento privado de campanha. “É hipocrisia, má-fé ou ingenuidade falar de corrupção sem tocar nesse assunto. Que interesse uma empresa pode ter ao financiar um político?”, pergunta.

ÂNIMOS EXALTADOS

Quando esteve no Rio, dia 24, Lula causou alvoroço na opinião pública. Em discurso na Associação Brasileira de Imprensa, disse estar pronto para voltar às ruas em manifestações a favor de Dilma. Na ocasião, ativistas pró-governo e contra Dilma entraram em confronto. A expectativa e a torcida, desta vez, é de que o clima beligerante não se repita. Segundo nota do Instituto Lula, o ex-presidente não irá aos atos convocados pela CUT.

Organizadores do movimento do dia 15, na orla de Copacabana, o engenheiro Dênis Abreu, de 37 anos, e a administradora Luciana Morgado, 46, argumentam que o movimento é por “um país melhor, mais limpo, sem corrupção”. “Isso pode passar por impeachment, renúncia, ou mudança na forma como o PT governa o país”, pondera Dênis.

Oposição incansável pelo afastamento

Como o PT e a base aliada têm maioria no Congresso, a estratégia da oposição tem sido buscar juristas que sustentem o argumento do impeachment de Dilma. O jurista Ives Gandra divulgou parecer garantindo as possibilidades do processo. O deputado federal Paulinho da Força reforçou o coro e afirmou, semana passada, que consulta seus advogados para apresentar o pedido à Câmara.

No Rio, Dênis Abreu, do movimento Cariocas Direitos, opina que a presidenta cometeu crime e que deve sair. “Aguardo a investigação do Ministério Público e da Polícia Federal, mas ela cometeu crime na Petrobras.”

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