Por felipe.martins

Rio - Uma grande cervejaria e outra empresa do ramo de refresco eram dois dos 26 alvos do esquema de propina montado pela Delegacia de Proteção do Meio Ambiente (DPMA). Segundo, um dos policiais, que aceitou a delação premiada, a indústria de cerveja pagava R$ 6 mil, por mês. As exigências de propinas, segundo as investigações, variavam de R$ 500 a R$ 1 milhão. Nove policiais civis estão presos e o agente José Luiz Fernandes Alves foragido.

O policial civil José Luiz Fernandes Alves está foragido Divulgação

“Os empresários serão chamados para depor como vítimas. Eles pagavam porque eram ameaçados”, explicou o promotor Alexander Araújo, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Nesta quinta-feira, a permanência do delegado Fernando Reis, — apontado como chefe da quadrilha — na carceragem da Delegacia Antissequestro (DAS) colocou de um lado oposto a Polícia Civil e o Ministério Público e de outro a Justiça.

O pomo da discórdia foi a decisão da juíza da 16ª Vara Criminal, Maria Izabel Pena Pieranti, que determina que os presos devem ficar em unidades adequadas sem qualquer privilégio. Na prática, os delegados presos são levados para Bangu 8, considerada a prisão especial para os agentes, no Complexo de Gericinó. O que não ocorreu no caso do delegado, e gerou mobilização do Ministério Público. Em nota oficial, a Corregedoria Interna da Polícia Civil (Coinpol), defendeu que a ordem judicial não determina o local onde Fernando Reis deve permanecer e informou que ele está na carceragem DAS. “Não cabe ao Judiciário determinar onde vai ficar custodiado o preso e sim ao Executivo”, opinou o o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Estado (Adepol), Wladimir Reale.

Na quarta-feira, quando Fernando Reis e o perito criminal José Afonso Garcia Alvernaz, a Adepol emitiu nota alegando que a operação da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança e do Gaeco havia provocado uma e exposição desnecessária dos investigados.

O grupo foi denunciado à Justiça por concussão (extorsão praticada por servidor público), extorsão mediante sequestro e associação criminosa. As penas variam de três a 20 anos de prisão. Segundo a denúncia do Gaeco, no esquema de propina os pagamentos eram à vista, chamados ‘pancadas’ ou em parcelas mensais, as ‘merendas’. “Todos os empresários eram coagidos, portanto não houve o crime de corrupção passiva. Eles serão intimados a prestar depoimento no processo”, explicou o promotor Alexander Araújo.

Você pode gostar