PM impede entrega de alimentos e água em prédio ocupado no Flamengo

Objetivo é que ninguém mais entre no prédio que já foi sede do Clube de Regatas do Flamengo e está sob responsabilidade de grupo de Eike Batista

Por paloma.savedra

Rio - A Polícia Militar passou a impedir a entrega de água e alimentos na antiga sede do Clube de Regatas do Flamengo — e que desde 2012 está sob responsabilidade do grupo REX, de Eike Batista —  na Avenida Rui Barbosa 170, no bairro de mesmo nome, na Zona Sul, ocupado por cerca de cem sem-teto que chegaram ao imóvel na madrugada desta terça-feira. A estratégia tem como objetivo obrigar que os ocupantes deixem o edifício. A segurança foi reforçada no local. 

GALERIA: PM impede entrada de água e alimentos em prédio do grupo de Eike Batista

Grupo invade prédio de Eike no Flamengo

Segundo PMs do 2º BPM (Botafogo), a ordem é que ninguém mais entre no imóvel. Quem desejar, porém, pode sair. O prédio também não tem energia elétrica. "Não adianta tomarem essa medida. Já estamos passando fome e sede, mas vamos resistir", afirmou Alexandre Silva, 37, um dos ocupantes.

Após deixar terreno da Cedae%2C famílias ocupam prédio do grupo de Eike%2C na Avenida Rui Barbosa%2C no FlamengoMárcio Mercante / Agência O Dia

Os invasores haviam sido retirados no final do mês passado de um terreno da Cedae, na Via Binário, na Zona Portuária. Eles ocuparam no Flamengo prédio nesta madrugada. Pouco tempo depois, policiais militares do 2ºBPM que estavam em patrulhamento perceberam que um grupo arrombava um dos portões do edifício. Segundo a PM, duas viaturas estão reforçando a segurança no local.

A empresa REX, segmento imobiliário da EBX, transformaria o edifício em um hotel quatro estrelas. Com a crise nas empresas de Eike Batista, as obras nunca aconteceram. Hoje, o prédio está abandonado, pichado, com grande volume de lixo e pode ser vetor de doenças.

Através de uma nota oficial, a Associação de Condomínios do Morro da Viúva (Amov) disse que já havia alertado sobre a situação de abandono do edifício. "A situação é crítica. Não há qualquer tipo de segurança, apenas quatro porteiros que se revezam em dois turnos, facilitando assim os roubos e as depredações, e também se torna alvo fácil para invasões, como estamos vendo", afirma Maria Thereza Sombra, presidente da Amov.

Ela lembrou que no final do ano passado, o edifício passou por uma vistoria da Secretaria de Ordem Pública, da Guarda Municipal, da Vigilância Sanitária, Defesa Civil e Comlurb, onde fiações soltas, ninhos de ratos, caramujos africanos e muitos dejetos pelos corredores foram encontrados.

"Durante a vistoria, constatamos o total abandono do edifício, muito lixo, insalubridade e também o furto de tampas de privadas, esquadrias etc. Além disso, no local havia apenas 02 porteiros e nenhuma segurança", afirma Maria Thereza.

Dirigente do Flamengo já temia por invasão ao edifício

Também no final do ano passado, o vice-presidente de patrimônio do Flamengo, Wallim Vasconcellos, foi sucinto sobre a responsabilidade da administração do Morro da Viúva. "Toda responsabilidade é da EBX. Estamos conversando continuamente com eles para buscar uma solução, mas já nos disseram que não há jeito. Além da vizinhança, que pode sofrer com doenças, há o perigo do prédio ser invadido", relatou Vasconcelos.

No último dia 26 de março, cerca de 300 famílias deixaram de forma pacífica o terreno da Cedae. A maioria das pessoas que ocupavam o local é proveniente das invasões ao antigo prédio da Companhia Docas, apelidado de Bairro 13; e do antigo edifício da operadora de telefonia Oi, no Jacaré, na Zona Norte. O primeiro foi demolido e o segundo invadido pela PM, ambos em fevereiro e abril de 2014, respectivamente.

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