Famílias expulsas do prédio de Eike vão para a Lapa

Edifício de dois andares na Rua do Resende é o novo endereço dos sem-teto, que estavam na Praça da Cruz Vermelha. Dono fez acordo para deixarem local na terça

Por victor.duarte

Rio - O grupo de cem pessoas que invadiu o prédio administrado pelo empresário Eike Batista, no Flamengo, no início do mês, voltou a ocupar novo imóvel, desta vez, na Lapa. Os sem-teto chegaram ao local na madrugada de ontem e, após acordo com o proprietário da construção, comprometeram- se a deixar o edifício ao meio-dia da próxima terça-feira.

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Invasores entraram em acordo com o dono do prédio e afirmaram que vão ficar no local até terça-feiraPaulo Araújo / Agência O Dia

A construção fica no número 169 da Rua do Rezende. O dono do imóvel, que se identificou apenas como Ferreira, soube da ocupação por volta das 7h de ontem, depois de ser informado pelo segurança do prédio. Junto com seu advogado, João Cruz, Ferreira negociou com os ocupantes até às 14h30, quando foi feito o acordo, que teve a ajuda da Frente Internacionalista dos Sem-Teto (Fist). Os ocupantes receberam R$500 para custear os três dias de alimentação e pediram que a Polícia Militar e a Guarda Municipal não ajam com violência quando o prédio for desocupado.

Famílias expulsas do prédio de Eike Batista invadem edifício na LapaPaulo Araújo / Agência O Dia

Segundo Ferreira, o imóvel foi invadido duas vezes em 2014 por outras pessoas. O edifício foi adquirido em 2004 e está fechado há dois anos. Lá existem dois andares residenciais e uma lanchonete no térreo, que estão bastante deteriorados e sem condições de funcionamento. Ano passado chegou a passar por obras, mas foram interrompidas. “O prédio não era ocupado, mas não estava abandonado. Havia segurança e visitávamos com frequência”, disse o dono.

O grupo de 20 ocupantes — que antes passou pela Cinelândia e Praça da Cruz Vermelha — se divide em quatro apartamentos com um quarto cada. Não há luz nem água. Não foi divulgado para onde o grupo vai depois da terça-feira. “Só queremos um local para morar e a Prefeitura não ajuda. Na Praça da Cruz Vermelha estava impossível”, afirmou Guaraci Júnior, 32 anos.

Mãe de quatro filhos, Tatiana Barbosa, 24, morou até os 19 em abrigo e chegou a participar das ocupações na Favela da Telerj, no prédio da Cedae, além do imóvel no Flamengo. “Já tive carteira assinada, mas não consigo arrumar emprego por não ter casa, nem endereço.”


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