Trabalhadores imploram para não serem mortos durante assalto

Violência está presente no dia a dia de moradores de Anchieta, bairro vizinho ao Complexo do Chapadão

Por nicolas.satriano

Vitória: vítima de confrontoReprodução

Rio - Acostumados à rotina de tiroteios e mortes no Complexo do Chapadão, moradores de Anchieta, bairro vizinho, hoje têm na volta para casa o momento de maior tensão. Na quarta-feira, dia em que cinco pessoas foram baleadas na região, seis trabalhadores imploraram pela vida dentro de um ônibus que, por ordens de traficantes, deveria ser queimado com passageiros vivos em seu interior, durante protesto pela morte de dois bandidos.

Interceptado por uma barricada de fogo na Rua Alcobaça, o coletivo da linha Castelo-Pavuna, de acordo com passageiros, não foi carbonizado graças à coragem do motorista, que, diante dos apelos dos passageiros, evitou uma tragédia.

“Voltávamos para casa em silêncio, por volta das 22h, no sentido Pavuna, quando o ônibus reduziu diante do clarão. Sofás e pneus pegavam fogo, enquanto homens armados com armas e pedaços de pau cercaram o veículo. Diante do cerco, o ‘piloto’ tentou engatar a marcha a ré e voltar, mas ficou encurralado. Foi um terror”, narrou um dos passageiros.

De acordo com ele, durante os breves instantes de indecisão do motorista, pedras foram lançadas contra a janela do ônibus e os passageiros se jogaram no chão e se apegaram a toda sorte de fé.

“Uma senhora, de seus 70 anos, foi a única que permaneceu sentada. Apegada ao terço, ela rezava um Pai-Nosso, enquanto outra moça, de 20, repetia: ‘O Senhor é meu pastor e nada me faltará’”. Na tentativa de dialogar, o profissional teria aberto a janela. Foi quando ouviu a ordem dos bandidos para atearem fogo ao ônibus.

Quando ele avistou um homem empunhando um pedaço de madeira incandescente, o motorista se deicidiu por acelerar. Em ‘zig-zag’, a barreira de fogo foi rompida em alta velocidade, até o veículo chegar em local seguro. No caminho, os passageiros ainda viram o outro ônibus queimado no protesto, sem vítimas. “Quando vi as chamas, pensei que poderia estar em meio a elas”, concluiu o passageiro.

Menina baleada está fora de perigo

Questionada sobre o incidente, a Viação Pavunense informou não ter realizado registro do caso. A 31ª DP (Ricardo de Albuquerque) disse que uma das vítimas já foi à unidade e outras pessoas devem ser ouvidas.

Já a menina Vitória Valério Rodrigues, de sete anos, atingida por um tiro no Parque Esperança, durante o confronto entre policiais e traficantes que provocou o protesto em que os ônibus foram queimados, encontra-se fora de perigo, no Hospital Menino Jesus, em Vila Isabel.

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