Falta de recursos e de professores ameaça escola de teatro centenária

Alunos da Escola de Teatro Martins Pena fizeram um ato nesta quinta-feira para reivindicar melhorias e fim de sucateamento

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Fundada há 107 anos e em funcionamento na construção onde Barão do Rio Branco nasceu em 1845 — prédio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) — a Escola Técnica de Teatro Martins Pena está ameaçada de em breve paralisar suas atividades por falta de recursos e de professores. Os alunos reclamam que o repasse de apenas R$ 1.800 da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), vinculada a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia, não é feito desde outubro do ano passado. Professores terceirizados — que são a maioria na instituição — estão sendo dispensados com os fins dos contratos. Até o telefone e a internet foram cortados por falta de pagamento. No próximo dia 28 de maio, novos contratos de docentes chegam ao fim, ameaçando a continuidade das aulas na escola.

Escola Técnica de Teatro Martins Pena tem sofrido com abandono ao longo dos anosDivulgação

Os alunos realizaram um ato artístico nesta quinta-feira, às 17h, dentro da instituição, para cobrar uma auditoria pública para tratar dos problemas da escola e pressionar o estado para que seja realizado um concurso público para contratar novos funcionários. Representantes da Comissão da Educação da Alerj confirmaram presença na manifestação. O presidente da Faetec, Wagner Victer, foi convidado, mas confirmou presença.

Na última terça-feira, os alunos da Escola de Teatro Martins Pena se reuniram na frente da Alerj para protestar e debater sobre os problemas que a instituição atravessa. De acordo com Felipe Bustamante, presidente do Grêmio Estudantil Renato Viana, a situação de abandono é antiga, mas piorou quando começaram a sair os funcionários contratados, entre eles professores. A disciplina de interpretação, a principal matéria do curso de formação de ator e presente ao longo de toda a grade curricular, perdeu profissionais e os que ainda continuam se desdobram para que os alunos não fiquem sem a aula.

Alunos da Escola de Teatro Martins Pena se reuniram na frente da Alerj%2C na última terça-feiraReprodução

"São cinco semestres, e todos têm aulas de interpretação. Se não tiver ela, não tem curso. Alguns professores, mesmo com as condições, estão dobrando para manter as aulas desta disciplina", disse, revelando também que outras cadeiras são afetadas pela falta de docentes.

"O STF (Supremo Tribunal Federal) considerou inconstitucional o preenchimento das vagas por contratados e deu o prazo de um ano para realizar este concurso, e isso foi anunciado em maio do ano passado. A gente ficou na expectativa do concurso e continuamos a ter aulas. Alguns contratos terminaram e eles saíram, sem as vagas serem preenchidas.", disse Felipe.

Abandono da Escola de Teatro Martins Pena ameaça continuidade de cursoDivulgação

?Condições precárias

O sucateamento é evidente em diversos pontos da Martins Pena, com equipamentos muito antigos, além de instalações e estruturas precárias.

"O material de iluminação é da década de 70, as mesas de sons são muito antigas, tudo analógico", revelou o estudante. Imagens enviadas pela aluna Rebecca Leão, que também é integrante do Grêmio Estudantil da escola, mostram o completo abandono que ela atravessa.

Mesa de som utilizada em uma das aulas do curso%3A condições precáriasDivulgação

Felipe espera que o ato abra os olhos das autoridades para a importância da instituição na fomentação de profissionais da área. "É preciso um olhar mais atento para a escola, ela é a única instituição pública a oferecer um curso de formação de ator. Temos um centro de costura para teatro fechado, só tem uma pessoa lá que está grávida e também é contratada. Não queremos a escola sucateada, vamos cobrar do poder público e ver como isso pode ser resolvido", falou.

Procurada, a Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec) disse que o setor técnico fez uma visita à unidade na última terça-feira e que os problemas foram identificados. Segundo a Faetec, o acesso à internet e telefone foram foram restabelecidos no mesmo dia.

Questionada sobre o repasse que não vem sendo feito desde outubro do ano passado, a fundação informou que o valor da verba descentralizada (SIDES), referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2015 (R$ 2.066,57), foi programado, aprovado e repassado, mas não precisou a data que o dinheiro estará disponível. Ainda segundo a Faetec, no último dia 28, outros R$ 4 mil para despesas emergenciais, oriundos do fundo de escolas, foi disponibilizado.

Quanto a não realização do concurso para contratar novos servidores para a escola, a fundação não se pronunciou.

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