Por nicolas.satriano

Rio - Em conversas desde outubro de 2014, ainda com Eduardo Campos vivo, PSB e PPS anunciaram ontem, durante reunião em Brasília, mais um passo em direção à fusão das duas legendas. No Rio, onde integrantes do PSB contestam a presidência regional do senador Romário Farias, a medida virou outro motivo para discórdia. Juntos, a bancada estadual teria três deputados — dois do PPS e um PSB.

Único pessebista na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Wanderson Nogueira diz ser inaceitável “a desconstrução histórica e programática” da sigla. Faz coro com Nogueira, Roberto Amaral, ex-presidente da legenda, para quem a fusão se trata de “oportunismo enganoso”

Ex-presidente do PSB, Roberto Amaral chama união de ‘oportunismo’Estadão Conteúdo

“Num ato de dignidade histórico-ideológica — não sei se é pedir muito da honestidade ideológica dos atuais dirigentes —, poderia, numa homenagem a João Mangabeira, Miguel Arraes e Jamil Haddad raspar da sigla o ‘S’ de socialismo. Seria oportuno e digno”, provoca Amaral. O nome da nova sigla será debatido em 45 dias.

Alinhado à direção nacional, Romário lista os benefícios que a fusão trará à sigla: “A nova legenda será a quarta maior bancada na Câmara, com 45 deputados, atrás do PMDB, PT e PSDB. No Senado, passaremos de seis, para sete senadores, podendo chegar a nove, se confirmadas a migração das senadoras Marta Suplicy e Lúcia Vânia, que estão em conversas avançadas”, defende.

O senador afirma ainda que o novo partido manterá posição de independência em relação ao governo Dilma Rousseff — o PPS faz oposição, atuando como linha auxiliar ao PSDB.

Também vê com bons olhos a fusão, o presidente do PPS no Rio, o deputado estadual Comte Bittencourt. Para ele, as discordâncias internas do PSB fluminense não serão obstáculos.

“Cada partido terá de vencer suas resistências, aparar arestas e dificuldades. Com a reforma política, acho positivo”, disse Bittencourt, acrescentando que tanto o PPS como PSB dividem o mesmo campo ideológico, para ele, à esquerda. “Apesar de nas eleição termos caminhamos com o Aécio Neves (PSDB), nos entenderemos no Rio.”

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