Crise deixa 18 mil alunos sem aula na UFRJ

Atraso no pagamento dos terceirizados motiva paralisação. Reitoria continua ocupada pelos estudantes

Por daniela.lima

Rio - Mais de 20 das 50 unidades da Universidade Federal do Rio de Janeiro anunciaram, durante o final de semana, que não funcionarão nos próximos dias. Por conta disso, pelo menos 18 mil estudantes ficarão sem aulas nesta segunda-feira. Entre as os cursos que ficarão sem aula estão: Direito, Pedagogia, Farmácia, Letras, Psicologia, Administração, Contabilidade, Psicologia e o polo de Xerém. 

Protesto de Professores e alunos do CAP-UERJ em Copacabana%3A melhores condições de trabalhoPaulo Araújo / Agência O Dia


A decisão decorre do não pagamento dos terceirizados. E isso pode ser apenas o começo. Os cerca de 200 alunos que ocupam o segundo andar da reitoria desde a semana passada apoiam a decisão da suspensão das atividades acadêmicas. O próprio reitor, Joaquim Levy, também declarou solidariedade ao movimento dos terceirizados.

“Nós não queremos que as pessoas fiquem sem aulas, mas não podemos tolerar que funcionários trabalhem sem receber seus salários. Tem gente sem dinheiro para comer ou pagar o aluguel”, contou a estudante de enfermagem e diretora do Diretório Central do Estudantes, Gabriela Celestino, 22 anos, que estava na ocupação.

A crise financeira tem afetado outras instituições do Rio de Janeiro, além da UFRJ. A UERJ e a UFF também tem enfrentado dificuldades para honrar seus compromissos financeiros. Alunos e professores do CAP-UERJ e do colégio Pedro II fizeram protesto na tarde de ontem, na orla de Copacabana, na Zona Sul da cidade. Eles querem melhores condições de trabalho nas escolas.

REITORIA

O reitor da UFRJ deve se reunir ainda hoje com diretores, decanos e estudantes para avaliar a situação da universidade e decidir se retomam ou não as atividades.

O pagamento dos terceirizados é a pauta mais urgente, mas não é garantia que uma vez regularizados, os estudantes sairão do prédio da reitoria da universidade.

“É impossível voltar as aulas com situação análoga ao trabalho escravo na nossa universidade. Isso é o mínimo”, afirmou o estudante de História e diretor do DCE Raphael Almeida, 22 anos. “Também temos pautas urgentes, como a moradia estudantil. Mas não adianta o reitor abrir um novo alojamento amanhã, se tivermos gente trabalhando de graça na universidade”, explicou. 

Eles querem mais aulas

Alunos do CAp-Uerj, apoiados por estudantes do CAp-UFRJ e do Pedro II, fizeram uma manifestação na manhã de ontem na praia de Copacabana. O objetivo de pais, alunos e professores é chamar atenção para as consequências dos problemas financeiros das instituições.

“Estamos cansados de tentar falar com o reitor. Ele não nos recebe há um ano”, contou Valeria Arruda, mãe de Julio, do 7º ano do CAp-Uerj, que está sem aula de português .

Estudantes e pais distribuíram panfletos e chamaram atenção da população com gritos de “queremos aula”. O aluno Daniel Figueira, 13, do 8º ano, estava acompanhado da mãe Elza e reclamou da falta de atenção com os professores. “Fico chateado com a situação. O Estado poderia dar uma atenção melhor. Estamos lutando por isso”.

Colaborou: Flora Castro

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