Jogos de 2016 dão vantagem a carioca em intercâmbio

Programas oferecem oportunidade de receber estrangeiros em casa ou ganhar R$ 44 mil por ano como babá

Por adriano.araujo , adriano.araujo

Rio - Aprender idiomas e conviver com estudantes de outras nacionalidades gastando muito pouco. Ou ganhar até R$ 44.660 por ano como baby sitter nos Estados Unidos, com férias e estudo pagos pela família anfitriã. Na corrida em busca dessas experiências de vida, o carioca leva vantagem. Os Jogos de 2016 aumentam o interesse de estrangeiros em passar um tempo na Cidade Maravilhosa. E quem hospedá-los tem direito à reciprocidade, ou seja, hospedagem garantida no país do visitante.

Quem nunca participou desse tipo de programa tem nova oportunidade. A ONG AFS Intercultura Brasil, presente no país há 60 anos, seleciona famílias voluntárias dispostas a receber estudantes estrangeiros.

A dinamarquesa Pernille foi acolhida pela família da professora Ciça Roxo. "Foi uma experiência divina! Ganhei uma filha maravilhosa"%2C disseDivulgação

Além do serviço voluntário no Brasil, uma opção para quem quer turbinar o inglês e ainda ganhar para trabalhar lá fora é o intercâmbio remunerado no exterior, o Au Pair, voltado para mulheres que queiram cuidar de crianças estrangeiras.

Jovens talentos de baixa renda podem concorrer a bolsas de intercâmbio nos Estados Unidos oferecidas pela ONG AFS pelo programa Global Citizens of Tomorrow. As inscrições abrem no dia 14 de agosto no site www.afsbolsasusa.org.br. A instituição também está com vagas para o cadastro de escolas que desejam acolher jovens de 15 a 18 anos. As inscrições para recepcionar o próximo grupo de intercambistas, que chegará em agosto, podem ser feitas por pais solteiros, com ou sem filhos, casais sem filhos e famílias homoafetivas.

“As famílias têm que ofecer um ambiente seguro, alimentação adequada e um quarto que pode ser apenas para o intercambista ou compartilhado com outro membro da casa”, explica a diretora nacional do AFS, Andreza Martins.

Jovens que vieram para o Brasil ficaram hospedados em casas de famílias. Há mais de 800 cadastradasDivulgação

As famílias ficam com o compromisso dos estudantes visitantes de frequentarem a escola regular no Brasil. “O importante é que eles se sintam parte da família”, destaca Andreza.

A organização mundial está presente em 110 países e faz mais de 12 mil intercâmbios por ano, com a colaboração de 42 mil voluntários de vários países. O Brasil tem 800 famílias cadastradas. Uma delas é a da professora de Gastronomia Ciça Roxo Pochettino. Há três anos, ela abriu a casa para a dinamarquesa Pernille Brinck Jensen, de 16 anos.

“Foi uma experiência divina! Eu tenho dois meninos e ganhei uma filha maravilhosa”, conta Ciça. No ano passado, as duas famílias passaram o Natal juntas no Rio de Janeiro e, este mês, o reencontro será na Dinamarca. “Como toda relação, tem que ser cultivada. Os laços afetivos são o maior ganho para quem participa de uma experiência como essa”, ressalta Ciça.

Receber para estudar no exterior

Tomar conta dos pequenos, ajudar nas tarefas escolares, arrumar a bagunça e acompanhá-los nas atividades de lazer. Essas são algumas das atividades de um dos programas de intercâmbio mais econômicos do mercado, o Au Pair. O programa é voltado para mulheres, entre 18 e 29 anos, que têm a chance de obter uma renda trabalhando em outro país, ao mesmo tempo em que aprimoram o idioma.

Segundo a gerente de produtos da CI - Intercâmbio e Viagem -, Fabiana Fernandes, o programa de um ano é uma imersão completa na cultura a na língua do país. “Como o serviço é remunerado, a intercambista paga os custos da viagem e ainda aproveita o tempo para viajar pelo país e conquistar a fluência no idioma”, diz.

Nos EUA, a carga horária de trabalho é de 45 horas semanais.. “A cuidadora pode ser responsável por até quatro crianças e deve ajudá-las nas do dia a dia, como entretê-las, levá-las à escola e , ainda, preparar o lanche dos pequenos”, descreve Fabiana. Nos EUA, a intercambista receberá um salário de cerca de US$195,75 por semana. “Ela terá duas semanas de férias remuneradas, quatro semanas para viajar como turista ao final do programa e bolsa de estudos, paga pela família”, explica a gerente.

COMO PARTICIPAR

As famílias e escolas que queiram receber estrangeiros no Brasil devem estar localizadas em um dos 17 estados que possuem voluntários da organização (veja a lista completa no site www.afs.org.br. Durante a estada do aluno no país, a ong é responsável pelas despesas com seguro médico, material didático e transporte escolar. As famílias pagam alimentação e despesas com atividades.

ROTINA DA FAMÍLIA

Para serem selecionados, os participantes recebem a visita de um voluntário da instituição que irá preencher um documento com dados sobre a rotina da família, relacionamento e infraestrutura do ambiente.

DURAÇÃO

As famílias podem escolher programas que duram de 4 semanas até 11 meses. Estudantes chegam no início do ano (fevereiro e março) ou a partir de agosto.

BOLSAS NOS EUA

Para se candidatar ao programa Global Citizens, é preciso ter nascido entre 15 de março de 1998 a 1º de agosto de 2001. Ter renda familiar de até seis salários mínimos, estar cursando o Ensino Médio em escola pública, não ter sido reprovado em nenhuma série, ter notas acima de 8 e nível de inglês intermediário.

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