Câmara e Alerj debatem projetos que liberam bebidas alcoólicas em estádios

Argumentos de parlamentares chegam à Copa do Mundo de 2014. Para eles, legado não foi só o 7 a 1, mas sim o fato de que bola rolando e copo cheio não são sinônimos de violência

Por nicolas.satriano

Rio - Em 2012, pesquisa do Ibope mostrou que o futebol é a preferência nacional dos brasileiros, seguido pela cerveja. As paixões, porém, se separam com a proibição da venda de bebidas alcoólicas em estádios, medida que está para ser derrubada: no Rio, a Assembleia Legislativa (Alerj) vota nesta terça-feira projeto que autoriza a venda no estado, enquanto na Câmara dos Deputados outro texto avança e está para ser apreciado em breve. Entre os argumentos usados pelos parlamentares autores das propostas está o fato de que a Copa do Mundo de 2014 deixou de legado não só o 7 a 1, mas a lembrança de que bola rolando e copo cheio não querem dizer violência.

Projeto de lei do deputado Goulart (PSD-SP) foi aprovado na Comissão do Esporte e será entregue ao relator Sergio Zveiter (PSD-RJ) na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta semana. Segundo o parlamentar, a ideia é criar uma lei para diminuir a insegurança de outras legislações estaduais. “Precisamos de uma norma nacional. Na Copa do Mundo, teve cerveja e não teve problema”, afirmou ele, membro da Gaviões da Fiel, maior torcida organizada do Corinthians.

No ano passado%2C durante a Copa do Mundo%2C os estádios de futebol foram autorizados a vender cervejaReprodução

Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio Grande do Norte, Goiás e Bahia são alguns dos estados que já liberaram a venda de bebidas alcoólicas. Uma determinação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) em 2008 suspendeu a venda de cerveja em jogos organizados pela entidade. Depois, um texto complementar foi incorporado em 2010 pelo Estatuto do Torcedor.

Na opinião de Goulart, não há relação entre violência nos estádios e consumo de cerveja. “Em qualquer estádio, o torcedor fica bebendo até a hora do jogo começar. Na Copa, abriu-se o precedente pra acabar com a proibição. Violência no futebol é um problema que não vai se resolver sem cerveja e sem torcida organizada, tem que prender os bandidos”, afirmou o parlamentar.

Para o sociólogo Maurício Murad, autor do livro ‘Para Entender a Violência no Futebol’, Câmara e Alerj estão promovendo um “retrocesso” ao debater o retorno do álcool para os estádios. Ele coordena uma pesquisa sobre o tema que, preliminarmente, mostra resultados positivos da proibição do consumo: segundo dados do Ministério Público, houve redução de 63% de brigas em Pernambuco; 57% a menos de violência em São Paulo, segundo a PM; e 45% a menos em Minas Gerais, de acordo com a Polícia Civil.

No Rio, não há dados oficiais, mas Murad opina que o consumo de álcool sem um plano de segurança nos estádios pode significar aumento da violência. “Violência no futebol não é só culpa da cerveja, mas me parece que há um lobby das cervejarias muito grande em mudar a lei. Sem levar pesquisas sociais e médicas em conta, aumentar de fato a segurança, haverá aumento da violência”, destacou.

Rapidez para projeto na Alerj

Um acordo entre líderes de bancadas na Alerj deve facilitar a tramitação do projeto de lei do deputado Wanderson Nogueira (PSB), que autoriza a venda e consumo de cerveja nos estádios do Rio. O texto que será votado é o resultado da soma de três iniciativas _ além da Wanderson, a dos deputados Luiz Martins (PDT) e Geraldo Pudim (PR). A proposta atende a pedido de clubes do Rio. 

“Vai ser interessante para os clubes, que vão aumentar a arrecadação. Não há nenhuma comprovação de que bebida e violência estão associadas no meio do futebol. É necessário ter atenção para o consumo de menores e ênfase na Lei Seca”, disse o parlamentar.

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