Vítima da violência em Botafogo pede melhoria na educação

Professora derrubada em arrastão foi, nesta segunda-feira, ao médico. Acha que é necessária legislação eficiente

Por nicolas.satriano

Rio - Após a violência nas praias e ruas da Zona Sul no fim de semana, há um pensamento em comum entre moradores e frequentadores da Zona Sul. Todos querem, a seu modo, uma solução para as brigas nos dias de folga. As opiniões de como resolver são, no entanto, as mais diversas em todas as classes sociais.

A professora aposentada Maria Aparecida Araújo, de 63 anos, que perdeu a bolsa, com documentos e celular e foi derrubada no chão durante arrastão em Botafogo, no sábado, acredita que é preciso haver algum tipo de alteração na legislação para permitir alguma punição aos infratores.

No domingo%2C janelas de ônibus foram quebradasMatheus Rodrigues / Arquivo

“É um quadro muito assustador. E algo precisa ser feito. Mas não é com justiçamento destes menores que a gente vai resolver o problema. Só vai gerar mais violência”, sugeriu ela, que ontem foi ao médico por causa das dores decorrentes do tombo. Ela já deu aula para muitos jovens nas redes municipal e estadual e acredita que solução definitiva só virá com melhorias na educação. 

Há opiniões, no entanto, bem diferentes. “Há comentários, agora, até para matar. É o que a gente ouve de todo mundo e tem muito apoio. Nunca vi nada igual em 33 anos trabalhando aqui”, contou Jesiel Cruz, o Bangu, dono de um quiosque no Arpoador desde os anos 80. Ele passou o dia recolhendo pedaços de pau usados na batalha do domingo.

Nesta segunda-feira%2C policiais patrulhavamas praias mais vaziasBruno de Lima / Agência O Dia

Observador dos frequentadores do Arpoador, ele reclama da inoperância da PM mesmo antes da proibição de apreensão de menores sem flagrante. Ele conta que já identificou trombadinhas e alertou a polícia, mas nada foi feito. “Eles podiam ficar de olho para ver se o moleque vai roubar de novo e apreender em flagrante. Mas não fazem nada. Por isso a população se revolta.”

Morador do Cantagalo, um estudante de 19 anos, confirmou o discurso do barraqueiro. “Geral do bairro vai agir. Alguém sai daqui para zoar no Jacaré, no Parque Madureira ou Vila Isabel? Não. Então não vão zoar aqui”, avisou.

No meio de toda esta confusão, há muitos que só querem ir à praia, sem violência. Moradora da Vila da Penha, a empregada doméstica Marilene Araújo, de 50 anos, trabalha no Arpoador há 10 anos, de segunda a sábado. “Eu gostaria de vir à praia no domingo, mas não consigo nem entrar no ônibus. Tem gente que quebra tudo, desrespeita as pessoas. Alguém tem que ser responsabilizado”, reclama.

Agressores de menor esperam julgamento em liberdade

Em janeiro do ano passado, a imagem de um menor nu preso a um poste no Flamengo com uma tranca de bicicleta chocou o Brasil. O caso teve até repercussão internacional.

O menor, identificado como um adolescente que cometia roubos pela região, foi preso por um grupo de ‘justiceiros’ da área. Todos de classe média. João Victor Andrade de Moraes, Raphael Silva Fernandes dos Santos, Yuri Nogueira Maimone e Leonardo Bollinger Scherer, na época, foram denunciados pelo Ministério Público (MP) por associação criminosa, lesão corporal leve, sequestro e cárcere privado. O MP pediu a prisão preventiva dos jovens, no entanto, eles respondem em liberdade.

Outro caso que chamou a atenção foi a de um homem que chutou um menor rendido pela polícia na porta do Shopping da Gávea. O fato aconteceu em junho. Questionada, a Polícia Civil não respondeu se o agressor foi identificado.

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