Pole Dance: Olimpíada é o alvo

Atletas tentam vencer o preconceito e conquistar o Comitê Olímpico Internacional

Por thiago.antunes

Rio - Músculos dos braços, pernas e abdômen se esforçam para suportar o peso de um corpo inteiro acima do solo, enquanto as articulações sujas de magnésio aderem à fria barra de ferro. Engana-se quem pensa que a descrição se refere aos movimentos da ginasta Daiane dos Santos. A arquiteta Ana Lima, de 25 anos, também exibe força e flexibilidade sobre o instrumento e, mesmo assim, tem que brigar para ser reconhecida como atleta. Tudo porque suas barras estão na vertical.

Atletas tentam vencer o preconceito e conquistar o Comitê Olímpico Internacional Maíra Coelho / Agência O Dia

“Só tem preconceito quem não conhece nosso trabalho”, afirma a jovem, que deixou a arquitetura para ser instrutora de Pole Dance. Apesar do ‘passado clandestino’, associado a boates e casas de striptease, o Pole vem ganhando espaço no cenário esportivo mundial e já traça planos para conquistar o reconhecimento do Comitê Olímpico Internacional a tempo dos Jogos de 2020, em Tóquio. A luta pela regulamentação resultou na divisão da modalidade, entre pole sport e exotic pole, e na criação de regras para competições.

Sócio do estúdio Copacabana Pole Dance, o preparador físico Augusto Bayard, de 36 anos, é responsável pelas atletas que treinam para o Campeonato Brasileiro, em outubro. “Nossos exercícios buscam resultados e não têm nada a ver com dança de boate”, esclarece. A designer Mônica Lopp, de 28 anos, não esconde a ansiedade de competir pela primeira vez. “Faço há pouco tempo e já sinto diferença. O avanço no pole é muito rápido”, declarou.

Brasil: o país do Pole Dance

Em 2009, com o objetivo de regularizar a prática do esporte no país e contribuir para a campanha olímpica, foi fundada a Federação Brasileira de Pole Dance. “O Pole está saindo da clandestinidade e buscando seu lugar ao sol. É importante termos profissionais qualificadas e com carteira assinada para que o governo reconheça nossa atividade”, afirmou a presidenta Vanessa Costa, que também ministra cursos de capacitação para instrutoras.

Segundo Vanessa, o Brasil é pioneiro na criação de um código de arbitragem para o Pole Dance, usado também em outros países. A aceitação de um código internacional é um dos requisitos para inclusão nos Jogos.

A realização de competições regulares é outra condição, e o Brasil não fica para trás. Além do torneio nacional, há três anos, o país é sede do Campeonato Pan-americano e do Pole World Cup — a maior disputa internacional que, este ano, aconteceu em abril. Para entrar nos Jogos, é preciso ainda que pelo menos 40 países tenham federações do esporte. No último Mundial, participaram 36.

Reportagem da estagiária Clara Vieira

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