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O que será do Rio em 2016? O DIA ouve especialistas sobre o ano olímpico

Eles fizeram prognósticos para as áreas de Educação, Economia, Política, Mobilidade Urbana e Segurança. E algumas estimativas não são nada animadoras

Por bianca.lobianco

Rio - Será que este ano vai ser igual àquele que passou? Especialistas consultados pelo DIA fizeram prognósticos para 2016 para as áreas de Educação, Economia, Política, Mobilidade Urbana e Segurança. E algumas estimativas não são nada animadoras. Enquanto as perspectivas para o caótico trânsito carioca são boas, com a inauguração de várias obras que darão maior fluidez ao tráfego, a Educação deve ficar estagnada e a Economia vai permanecer em compasso de espera, pelo menos até a solução da crise política que o país enfrenta. A Política, essa sim, nos reserva muitas emoções. Já a segurança pública, devido aos Jogos Olímpicos, promete ser tensa.

“Infelizmente, 2016 ainda não será o ano da Educação no Brasil”, lamenta o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-ministro da pasta e ex-reitor da Universidade de Brasília. Segundo ele, 2015 foi o ano do maior vexame brasileiro. “O slogan ‘Pátria Educadora’ foi puro marketing. Na realidade, tiraram dinheiro da Educação, fecharam faculdades e programas criados para a área. Isso mostra o desprezo que o Brasil tem pelo tema”, reclamou.

Os cariocas vão sofrer menos no trânsito. Na região de Deodoro%2C o fim da construção da Via Transolímpica trará um grande alívio para o trânsitoSeverino Silva / Agência O Dia

A Economia tende a se manter ruim, “A inflação deve continuar aquecida e a taxa de desemprego subindo, com as empresas demitindo devido às baixas vendas”, prevê o economista Gilberto Braga, professor de finanças do IBMEC e da Fundação Dom Cabral.

Após atentados em Paris%2C a segurança dos Jogos Olímpicos deveria exigir mais atenção das autoridades brasileiras. Especialista diz que controle das fronteiras segue fracoMárcio Mercante / Arquivo / Agência O Dia

Por causa dos Jogos Olímpicos, o diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança (ABSEG), Vinícius Domingues Cavalcante, prevê muita tensão na segurança pública. “Na conjuntura de reconhecida fragilidade nas fronteiras, decidimos afrouxar ainda mais os controles sobre os visitantes na época dos jogos. Isso sem falar em todos os atrasos no treinamento das equipes. Ao arrepio da boa norma, a população continua alijada da responsabilidade que lhe cabe na segurança de um evento importante e em face de riscos tão severos. A questão requer toda a atenção para lidar seja com o banditismo narcoguerrilheiro, o terrorismo internacional ou algum lobo solitário”, defende o especialista.

No campo político, a expectativa é de fortes emoções. “Além de resolver as pendências de 2015, como o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, e a questão da cassação do mandato do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, 2016 é ano de uma eleição municipal completamente diferente de todas as demais. A campanha será mais curta e mais pobre. O tempo cai pela metade: de 90 para 45 dias. E os candidatos não poderão mais contar com a generosa ajuda financeira das empresas, já que o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu as doações”, afirmou o cientista político Geraldo Tadeu Monteiro, presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisa Social (IBPS), que prevê para a cidade do Rio uma das campanhas mais acirradas da história, com a judicialização do processo eleitoral.

A boa nova é que o carioca deve sofrer menos para circular pela cidade.“De forma geral, a mobilidade urbana será certamente muito melhor. O ano de 2016 será de alívio e melhora no trânsito. Entretanto, durante os Jogos, prevejo um tráfego bem ruim, com a circulação das delegações e turistas dos países vizinhos que virão de carro”, avalia Alexandre Rojas, professor e especialista em mobilidade urbana da UERJ.

Depois que 2015 surpreendeu a todos e quebrou todas as expectativas, a avaliação desses especialistas ajuda a saber o que esperar do ano que começa.

As pendências de 2015, como a questão do impeachment da presidente e a cassação do mandato de Eduardo Cunha, serão resolvidas em 2016, na opinião do cientista político Geraldo Tadeu MonteiroEBC


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