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Rio festeja melhor Réveillon dos últimos quatro anos, apesar dos altos preços

Turistas do Brasil e exterior que vieram passar a virada de ano na cidade reclamam dos preços 'surreais'

Por bianca.lobianco

Rio - Cantada em verso e prosa pelos poetas de todos os cantos do planeta, o Rio de Janeiro continua lindo e praticamente intocável na visão de 857 mil turistas que vieram do exterior e de outros estados brasileiros para viver a pasagem de ano dos sonhos. Nem as conhecidas mazelas cariocas — violência, trânsito infernal e altíssimo custo de vida— foram capazes de impedir o melhor Réveillon nos últimos quatro anos.
Alegrias à parte, turistas reclamaram muito do custo do Rio. Até mesmo os gringos, que esperavam vida de rei com a desvalorização de 48,3% do real em 2015, caíram do pedestal.

“O preço do quarto de hotel é quase o mesmo de Boston, mas o da gasolina é o dobro”, critica o casal norte-americano Matthew e Melissa Kardonsky, que veio passar a lua de mel na cidade.

Vendedor em praia do Rio%3A Apesar do carisma dos ambulantes%2C turistas reclamam dos preços altosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

De Santa Fé, a argentina Natalia Bosio também reclamou dos preços. “Amo o Rio, a cidade é linda, mas até o transporte público é caro, na praia então...”, disse ela, referindo-se aos preços salgadíssimos da cadeira de praia (R$ 10), cerveja (R$ 6) e o coco, por absurdos R$ 8.

Se é caro para quem vem de fora, imagina para quem vive do real. “Queria ir para o Caribe, mas o preço era muito alto, por causa do dólar. Vim porque tenho família aqui, mas tudo é inflacionado”, reclama o paulista Vicente Garcez. A maioria dos vendedores da orla também está insatisfeita. “É o pior réveillon dos últimos três anos. A margem de lucro caiu bastante com o preço da canga atrelado ao dólar”, lamentou Fábio Santana.

Em lua de mel%2C o casal norte-americano Matthew e Melissa Kardensy curte o Rio%2C mas reclama dos preçosDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Já os donos de barracas da orla comemoravam. “Um gringo gasta de R$ 50 a R$ 70. Não tenho do que reclamar”, garantiu Rodolfo Chiarini, que trabalha em Copa.

Mas nem o custo, às vezes surreal, diminui a paixão pela cidade. “Se você procurar no Google ‘melhor Réveillon do mundo’, encontra o Rio, um lugar incrível com diversidade de gente e estilos”, elogia o paulista Fulvio Brigo.

Não por acaso, este ano o Rio recebeu 20,36% mais visitantes que em 2011, considerado o melhor Réveillon da cidade. Esse novo recorde trouxe R$ 2,6 bilhões para a economia local, 30,41% superior ao de quatro anos atrás, segundo a Riotur.

O grupo paulista deixou de ir para o exterior devido a alta do dólarDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Na favela, o outro Rio

Para evitar que o melhor Réveillon do mundo se transformasse em pesadelo, o casal francês radicado em Santiago (Chile) Mustapha e Leila Mimoune contratou por uma semana os serviços de uma agência de turismo voltada para turistas do exterior. O pacote, que custou 2 mil euros, inclui aluguel de um apartamento de dois quartos em Ipanema, transporte e visitas guiadas. Tudo para desvendar a alma carioca. Ao lado do jornalista e guia internacional Gilles Bertuzzi, subiram o morro sem medo. “Quando contamos a amigos que fomos ao bar de uma comunidade, nos chamaram de loucos. Exageram muito sobre a violência no Rio”, garante Mustapha, que não mudou de ideia nem após presenciar um assalto em Ipanema. “Depois disso passei a andar com uma cópia dos documentos, mas o Rio é incrível. Estamos adorando”. 

Mustapha%2C Leila e Sophia em Santa Teresa%2C guiadas por GillesDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Violência não freia turismo

Nem a sensação de aumento da violência na cidade diminuiu a taxa de ocupação dos hotéis da orla ddo Rio, que chegou a 97%, segundo a Associação Brasileira da Indústria Hoteleira-RJ.

“Viajo sempre e, no aeroporto de Berlim, o taxista queria me roubar no preço da corrida. Em Nova York, tive que correr para dentro de uma loja para não ser assaltado. Em todas grandes cidades há lugares aonde não se pode ir. São problemas comuns às grandes metrópoles. Não acontece só aqui”, garante Douglas Viegas, diretor da ABIH-RJ, que justificou a vocação turística da cidade. “O Rio é retratado nas novelas, no cinema. É um lugar lindo que todos querem conhecer, ou estar”.

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