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Avenida Brasil acumula histórias de pânico, tragédia e tristeza

Confira relatos de violência em uma das mais importantes vias expressas do Rio de Janeiro

Por tiago.frederico

Rio - Uma das mais importantes vias do Rio acumula histórias de pânico, tragédia e tristeza. Quem já viu o perigo de perto, como o auxiliar administrativo Jorge Botafogo, chegou a desistir do ônibus e optar por outro transporte entre o trabalho e a casa, mesmo demorando mais. “No engarrafamento, ladrões rodeavam os veículos. Tinha medo que saísse tiroteio. Optei pelo metrô entre o Centro e Pavuna”, conta.

Responsável pelo policiamento dos 58,5 quilômetros de extensão da rodovia, o comando do Batalhão de Policiamento em Vias Expressas (BPVE) informou que faz segurança dinâmica e direcionada de acordo com a mancha criminal, além de rondas em toda a via e atender a ocorrências do 190, solicitações de transeuntes e acidentes de trânsito.

Médico foi encontrado morto com tiro na cabeça dentro de Honda Civic na Avenida Brasil em outubro do ano passadoWhatsApp O DIA

Após a morte do vigilante José Carlos Santos, 51 anos, sexta-feira, com um tiro na cabeça quando dormia dentro de um ônibus, o BPVE reforçou o policiamento na via e intensificou as abordagens em pontos de ônibus. Mas, por estratégia, não divulga o número de policiais nem de viaturas.

O TRECHO DA VIOLÊNCIA

Quem tem que passar pela via expressa praticamente todos os dias fica indignado e, muitas vezes, tem experiências violentas para contar. Confira algumas histórias:

GUADALUPE

"Eu estava num ônibus na Avenida Brasil, na altura de Guadalupe. Estava sol e eu fui olhar o celular. Quando vi, um menino de fora pegou e saiu correndo. Na hora não sei o que me deu, saí do ônibus e fui atrás dele. Um senhor veio comigo, gritei para a PM "Pega ladrão!" e aí começamos a correr. O menino, que estava com roupa normal, não parecia mendigo nem cracudo, ficou assustado ao ver que tinha gente atrás dele. Correu, atravessando a Brasil, até que um caminhão pegou ele e morreu. Foi traumatizante. Fiquei desesperada sem saber o que fazer, foi uma morte feia", lembra Ana Daniele, 28 anos, química.

BARROS FILHO

Jorge de Paula Guimarães, 63 anos, era chefe da  cardiologia no Hospital Estadual Rocha Faria, e morreu na manhã do dia 24 de outubro. Bandidos anunciaram o assalto, na altura de Barros Filho, e o atingiram com um tiro na cabeça. Agentes do Batalhão de Policiamento de Vias Expressas (BPVE) o encontraram dentro de seu Honda Civic,  em um canteiro da Avenida Brasil.

PENHA

"Eu pegava o ônibus da linha 2336 (Castelo/Campo Grande) porque trabalhava no Centro de Convenções Sulamérica, na Cidade Nova. Três rapazes entraram no frescão: um deles na Presidente Vargas e os outros, na Leopoldina. A partir daquele trecho, anunciaram o assalto e começaram a recolher os pertences da gente. Desceram na Avenida Brasil, na altura da Penha. Levaram meu relógio, celular e minha camisa, que era a camisa oficial da seleção da Croácia. Felizmente um passageiro me deu uma camisa que levava. Senti alívio porque fiquei com meus documentos", recorda Cleriton Araújo, 32 anos, publicitário.

VILA DO JOÃO

"O José Carlos era vigilante e voltava do trabalho para casa. Ele estava dentro do ônibus da linha 483 (Penha/Copacabana), na Avenida Brasil,  durante um tiroteio na manhã da última sexta-feira. Ele dormia quando foi atingido na cabeça com um tiro, voltando do trabalho em um hotel em Copacabana para casa, na Penha. Morreu na hora. Deixou a mulher, com quem estava há cerca de quatro anos, e uma filha com 19 anos", conta o pastor Sérgio Bueno, irmão do vigilante.

"De acordo com testemunhas, os tiros teriam sido disparados por traficantes da Vila do João, no Complexo da Maré, que ativaram contra um grupo que promovia um arrastão na Avenida e correu em direção à comunidade. Motoristas que viram a ação entraram em pânico e chegaram a abandonar seus carros. José Milton de Souza, motorista do ônibus, seguiu com o ônibus para fugir da troca de tiros", relembra.

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