Caso seja ministro, Lula vai negociar com aliados que ameaçam apoiar impeachment

Dilma determinou que PMDB fosse sondado para saber se nomeação seria capaz de impedir dissidências

Por gabriela.mattos

Rio - Além de tirar Lula da mira do juiz Sérgio Moro, a provável ida do ex-presidente para a Casa Civil tem como objetivo principal fazer com que ele seja encarregado de negociar com peemedebistas aliados que ameaçam apoiar o impeachment de Dilma Rousseff.

A presidente determinou que o PMDB fosse sondado para saber se a nomeação — dada como certa na noite desta segunda-feira por petistas — seria capaz de impedir dissidências. No fim de semana, Lula resistia à ideia, dizia a aliados que a ida para o cargo poderia passar a imagem de que ele estaria fugindo da Justiça.

Lá no STF
Caso vire ministro, Lula só poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal.

Mais força
O senador petista Lindbergh Farias afirma que a tese do impeachment ganhou força entre parlamentares que se sentem ameaçados pela Lava Jato.

Ímpeto menor
Para ele, esse grupo acha que um novo governo teria como nomear um ministro da Justiça com pulso para segurar a Polícia Federal. As punições a petistas de alto escalão e o esforço para recuperar a economia gerariam um clima na sociedade capaz de amenizar o ímpeto do Judiciário.

Seguindo a canção
Nesta segunda-feira, na posse da direção da OAB-RJ, o coral da entidade cantou ‘Pra não dizer que não falei das flores’, de Geraldo Vandré, hino informal da resistência à ditadura. À mesa, Roberto Barroso, ministro do STF, engrossou o coro.

Farpa em Moro
Em seu discurso, o presidente reeleito da OAB-RJ, Felipe Santa Cruz, disse que governantes têm que governar e liderar. “A liderança do país não pode vir de uma vara criminal de Curitiba”, disparou, numa referência a Moro.

Desgaste
A hostilidade de manifestantes aos tucanos Aécio Neves e Geraldo Alckmin e a boa recepção a Jair Bolsonaro deixaram muita gente preocupada com o desgaste da imagem dos políticos e com o risco da ascensão de aventureiros.

Sem mediação
“A política está deixando de exercer a mediação”, analisa Eduardo Paes. Para ele, a dualidade entre PT e PSDB “impede as conversas”.

Alvo tucano
Líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani ressalta que o governo tem que governar e a oposição precisa deixar de apostar no “quanto pior, melhor”. Numa referência a alianças que o PSDB fez em troca do impeachment, ele diz que oposicionistas “têm um critério meio amplo de moralidade”.

Lá e cá
O deputado tucano Otavio Leite atribui o desgaste dos políticos principalmente à “crise ética no governo petista”. Admite, porém, que atitudes do PSDB como a demora em retirar o apoio a Eduardo Cunha contribuíram para o descrédito.

Debandada
Petistas dizem que o deputado Carlos Minc vai se despedir do partido. Ele não confirma, mas fala em “momentos de tristeza, angústia e dúvidas”. O colega Zaqueu Teixeira também estaria de saída.

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