Delegado contesta versão da Polícia Militar no Borel

Titular da DH que investiga morte do adolescente de 16 anos diz que perícia não encontrou armas

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - A morte de Jhonata Dalber Matos Alves, de 16 anos, na noite de quinta-feira, no Morro do Borel, na Tijuca, está sendo investigada como homicídio. A afirmação é do titular da Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil, delegado Fábio Cardoso. O rapaz foi atingido por um tiro na cabeça. Parentes do rapaz afirmam que Jhonata foi morto porque policiais militares confundiram saquinhos de pipoca que ele tinha nas mãos com drogas. Já a versão da PM é a de que ele teria participado de troca de tiros com os policiais da UPP da comunidade.

O delegado Fabio Cardoso afirma, no entanto, que arma alguma foi encontrada ou apreendida durante a perícia da Polícia Civil no local. O pacote de pipoca também não teria sido encontrado.

“O saco de pipoca é o que menos interessa. O que interessa é que um policial disse que ele (o menino) estaria com uma arma, e ela não foi encontrada. O próximo passo é verificar se, de fato, houve confronto entre policiais e traficantes e se Jhonata estava no confronto e atirou”, disse Cardoso.

Nos acessos ao Morro do Borel%2C o policiamento foi reforçado ontem%2C após noite de protesto dos moradoresSeverino Silva / Agência O Dia

O delegado informou que já foram ouvidos os policiais da UPP, tanto os estão envolvidos diretamente na ocorrência como os outros que trabalhavam em outros locais no mesmo horário. As armas dos PMs envolvidos na ação foram apreendidas. Amigos que estariam com o jovem e outros moradores também foram ouvidos.

Toda a família de Jhonata nega com veemência o envolvimento do rapaz com o tráfico. Em estado de choque, Antônio Trigo Alves, de 66 anos, avô materno do adolescente, chamou os PMs de mentirosos. “Não houve confronto. É mentira. Meu neto foi ao morro, à casa da tia, pegar pipoca porque era a festa da escola do irmão dele. Não queiram sentir o que eu e minha filha estamos sentindo. Você cria um filho, um neto, e ele acaba assim”, disse o avô, amparado por um amigo e chorando muito.

Ele e outros familiares do adolescente foram ontem ao Instituto Médico-Legal para tratar do enterro do rapaz. “Meu neto foi assassinado por homens que não deveriam estar usando aquela farda. A polícia está totalmente despreparada para agir”, acrescentou o avô. “Eu vi aquele moleque nascer e crescer. Gostaria de vê-lo adulto, criado e formado. Agora vou enterrá-lo”, revolta-se o primo e padrinho de Jhonata, William Antunes, 37 anos, que amparava Antônio. Após a morte de Jhonata, moradores protestaram e chegaram a apedrejar ônibus na Rua São Miguel.

UPP: agentes atacados

O comando da UPP Borel afirma que houve troca de tiros no local. “Dois homens em uma motocicleta foram abordados na localidade Curva do Horácio, na noite de quinta-feira. Antes da parada, eles sofreram uma queda e um dos ocupantes estava armado e atirou contra a equipe. Em seguida, suspeitos em um beco próximo, também armados, iniciaram um confronto com os agentes. Um homem foi baleado e socorrido pelos policiais para o Hospital do Andaraí”, informou o comando em nota.

A equipe do DIA percorreu ontem as proximidades do Borel e encontrou policiamento reforçado na ragião. Seis policiais do 6º BPM (Tijuca), armados de fuzis, tomavam conta da Estrada da Independência, esquina com Rua São Miguel, onde houve o ataque a um ônibus. Outros dois soldados, em uma viatura, guardavam a entrada da Rua Santa Carolina. Jhonata tinha uma namorada e estava matriculado em um curso técnico. Segundo a família, ele iria se inscrever no Programa Menor Aprendiz.




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