A favela quer é prevenção

Moradores não querem apenas paliativos para casos emergenciais

Por felipe.martins

Rio - O verão que faz a alegria dos cariocas assusta muitos moradores de favelas por causa das fortes chuvas, típicas da estação. Esta semana a Prefeitura do Rio anunciou medidas para prevenção de deslizamentos nos morros e encostas, entre elas a distribuição de três mil celulares para líderes comunitários de mais de 100 favelas. Mas, apesar de reconhecerem o avanço na comunicação, eles querem medidas definitivas para a prevenção e não paliativos para casos emergenciais. “É muito bom ter contato direto com a Defesa Civil, mas cadê o esgoto? E a limpeza das calhas?”, questiona a presidente da Associação de Moradores dos Prazeres, Eliza Brandão, 56, que sentiu na pele a perda de 34 vizinhos, mortos nos deslizamentos na parte baixa da comunidade, em 2010. “Após o acidente colocaram uma manta e quando fez um solzinho ela pegou fogo. Nada concreto”, reclama.

“É muito bom ter contato direto com a Defesa Civil%2C mas cadê o esgoto%3F E a limpeza das calhas%3F”%2C questiona Eliza BrandãoDivulgação

ÁREAS DE RISCO?

Segundo Eliza, o governo alega que morros são áreas de risco todas as vezes em que acontecem tragédias mas após, esquece. “Temos vários pontos e nunca houve manutenção, nem vistoria”, denuncia. “Minha preocupação é saber para onde vai o esgoto que corre a céu aberto.” E se questiona sobre qual o papel da pacificação: “Retomada de território? Cadê o Estado?”

SERVIÇO DEMOROU

Não é só no Prazeres que as reclamações surgem. Segundo Renato Ferreira, 20, presidente da Associação da Cachoeirinha, no Complexo do Lins, a linha direta com a Defesa Civil demorou a acontecer. “Recebemos o aparelho há três meses e acho importante, mas demorou muito. Precisamos de muito mais.” A mobilização, segundo ele, só veio após tragédias na área.

PARA LÍDERES, TELEFONE É PALIATIVO

Para o guia de turismo do Tabajaras e Cabritos Gilmar Lopes, a linha direta com a Defesa Civil tira do estado um papel que é dele. “Colocar telefone para avisar que a vida das pessoas está em risco é mole. Gostaria que estudassem para não haver necessidade desse telefone.” Se Gilmar reclama, o presidente da Associação de Moradores da mesma favela, Reinaldo Reis, vê uma vantagem para todos os momentos. “Temos contato direto com o coronel da nossa área, sem intermediários. Fica mais fácil de resolver os problemas.”

#TODOSPELOALEMÃO

A Via Varejo, que administra a Casas Bahia, lançou o desafio: a cada R$ 1 doado para a campanha #TodospeloAlemão, com foco em arte, esporte e educação, ela oferecerá outro R$1. A ideia é melhorar o dia a dia de moradores com o crowfounding na Internet. A expectativa é que as novas iniciativas ampliem os atendimentos para 7 mil pessoas por ano.

PARA O CONSUMIDOR 

Após um hiato de quatro meses a Alerj levará o ônibus da Comissão de Defesa do Consumidor de volta às favelas. O veículo receberá queixas de clientes insatisfeitos com empresas e operadoras. A primeira parada é no Santa Marta (23 a 27/11), segue pelo Vidigal (30/11 a 4/12), e finaliza o ano naVila Kennedy (7 a 11/12).

A PM QUE O RIO QUER

Oito soldados de UPPs não economizaram esforços semana passada para levar alegria ao menino Miguel, sete anos, que luta contra um câncer nos ossos. Segunda-feira ele realiza o sonho de ganhar festa de aniversário tendo a Polícia Militar como tema. O bolo foi feito no Centro de Capacitação da Masan, na Central, que forma cozinheiros e confeteiros de favelas.

O INSTITUTO RIO, que premiou 10 iniciativas da Zona Oeste em outubro, com um total de R$ 115 mil, lançou um edital para receber propostas para o ano que vem: R$ 264 mil serão destinados a 12 projetos da região. Propostas devem ser enviadas para edital@institutorio.org.br.

Com Tássia di Carvalho

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