Carlos Eduardo, de 8 anos, foi uma das crianças autoras - Alziro Xavier /Divulgação PMNI
Carlos Eduardo, de 8 anos, foi uma das crianças autorasAlziro Xavier /Divulgação PMNI
Por O Dia
Nova Iguaçu - No último dia da Feira Literária do Hospital da Posse (Fliposse), as crianças internadas no Hospital Geral de Nova Iguaçu (HGNI) e seus acompanhantes tiveram a possibilidade de ter uma rotina diferente e acolhedora mesmo em um momento doloroso, de recuperação e tratamento.
Assim foi a 1ª edição da Fliposse, que contou com a participação de mais de 120 pessoas, entre pequenos pacientes, acompanhantes, funcionários e convidados, nas atividades realizadas entre os dias 29 e 31 de outubro. Os remédios amargos, agulhas, exames e a preocupação ficaram em segundo plano, dando lugar a sorrisos, alegria e muita diversão.

“A Fliposse é um evento pioneiro, nunca houve nada parecido no HGNI e nem em outros hospitais. Conseguimos trabalhar, entre voluntários e servidores, para fazer acontecer esse feira tão importante para as crianças internadas. É fundamental que esse pequeno paciente seja estimulado a ler, a criar e a se divertir e esqueça por um momento a rotina de um ambiente hospitalar. Atividades assim auxiliam na recuperação”, destaca o secretário municipal de Saúde, Manoel Barreto.

Durante os três dias de feira, uma série de atividades voltadas para a literatura e a formação cultural tomou conta da Pediatria do HGNI. Com o tema “Modos positivos de convivência na afirmação da identidade”, as crianças aproveitaram uma programação diversificada, com cantigas de roda, teatro de fantoches, oficinas de abayomi (bonecas negras de pano), caras e cores, fanzines, palestras, rodas de leitura, dinâmica de jogos cooperativos, exibição de clipes musicais e a criação do espaço cantinho da leitura.
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Teve também a animação dos os palhaços do Projeto Alegria, que arrancaram gargalhadas e levaram diversão aos pequenos, e a contação de histórias do projeto Boa Leitura, ambas feitas por voluntários da Capelania Hospitalar. Alunos da Escola Municipal Paul Harris participaram do último dia de evento. O Colégio Leopoldo doou livros e materiais.

Um dos pontos altos da feira foi a ação “criança autora”, que marcou o retorno de ex-pacientes e convidados mirins ao HGNI para uma tarde de autógrafos durante a Fliposse. A cada dia, pelo menos um jovem escritor autografou e compartilhou sua história com o público. Foram apresentados livros como “Minhas brincadeiras e meu dia a dia”, do pequeno Carlos Eduardo, 8 anos, “Um livro muda o mundo”, da jovem Beatriz Ferreira, de 12, “Diga não ao Bullying” de Maria Eduarda Freitas, 14 anos.
Essas publicações e   “Kaio e... seus modos de convivência”, de Kaio de Oliveira, 9, entraram de vez para a literatura infantil, acompanhados de perto por grandes autores convidados, como Silvino Neto, responsável pela coleção “Você, Cida e Adão”, Renato Noguera, autor da trilogia “Nana e Nilo” e o próprio organizador e coordenador da feira, Paulo Ogg, que contou a história do “Branco de Neves e os sete ah, não!”.

“Quando cheguei ao hospital a tia Fátima (do Projeto Boa Leitura) me pediu para escrever uma historinha. Contei como quebrei meu braço e o que mais gosto de fazer. Foi muito legal, pois eu gosto ler e escrever”, aponta emocionado o pequeno Carlos Eduardo de 8 anos, que esteve internado no HGNI no início de outubro e aproveitou para criar seu livro.
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Sua mãe, Thaís Oliveira, era só orgulho e revelou uma expectativa do filho. “Ele estava ansioso. Perguntava a todo momento se era hoje o dia, até que o dia chegou. É uma iniciativa ótima porque anima tanto a criança quanto os pais nesses momentos difíceis”, conta ela.

O bullying foi um dos temas do encerramento da feira, abordado pela escritora Maria Eduarda Freitas da Silva, de 14 anos. Ela decidiu dar voz a história em seu livro após uma grande amiga ser vítima e foi convidada pela organização. “É muito triste ser vítima de bullying, é errado e afasta as pessoas", salientou.
"Minha amiga passou por isso e eu decidi escrever e mostrar que estou junto com ela. Ninguém deve caçoar de ninguém”, reforça a autora ao lado da mãe, Alessandra de Freitas, de 41 anos. “É importante para que as crianças interajam mais. Espero que essa feira tenha mais edições e chegue em outros setores do hospital”, completa a mãe.

O pedido de Alessandra é o mesmo de inúmeros pais e responsáveis que adoraram a feira. O desejo Wilzie do Nascimento Frazão, de 43 anos, é que a Fliposse chegue a outros setores. Ela ficou feliz pelo filho João Pedro, de 4 anos, internado por causa de infecção hospitalar, que brincou, se divertiu, ganhou livros e saiu da rotina médica “É uma ótima iniciativa, deveria acontecer não só aqui, como na emergência. Ajuda a criança a distrair e incentiva os pais. Meu filho ficou super feliz”, comemora a moradora de Queimados.

A primeira edição da Fliposse foi realizada na pediatria do HGNI graças a uma parceria entre a direção do HGNI, a Fundação Educacional Cultural de Nova Iguaçu (Fenig), a Capelania e a Classe Hospitalar. E no que depender da organização, ano que vem tem mais feira em outros setores.
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“O resultado do evento foi bastante positivo e a ideia é que a segunda edição da Fliposse seja realizada em todo o hospital. Vamos pensar em um projeto para o servidor com vários eventos culturais e literários possíveis”, destaca o pedagogo coordenador da feira e responsável pela Capelania Hospitalar, Paulo Ogg.