Subúrbios estampados no peito!

Conheça empreendedores que gostam de difundir a identidade e o orgulho dessas áreas na moda carioca

Por Vitor Almeida

Fabrício busca inspiração no cotidiano do subúrbio
Fabrício busca inspiração no cotidiano do subúrbio -

Nunca me desceu muito bem a ideia de olhar as vitrines nos shoppings e calçadões suburbanos e me deparar com camisetas estampando Arpoador, Grumari, Ipanema e outros locais que não fazem parte da minha realidade enquanto carioca. Algo nessa lógica não estava muito certo e muito pelo enfraquecimento do orgulho suburbano, que vem sendo reconstruído nos últimos dez anos. Mas ainda bem que temos quem queira difundir a identidade e o orgulho dessas áreas na moda de nossa cidade.

Desde 2012, o morador do Engenho de Dentro, Fabricio Oliveira, 33, produz as peças de sua marca, a Fowler, estampando o Rio de Janeiro suburbano: "Essa moda carioca praiana era vendida pra fora do estado e do país como sendo a única moda possível no Rio. Minha ideia era ter mais uma opção de moda na cidade". Sua inspiração vem do seu contato com os personagens que estão pela cidade, nas ruas e transportes públicos.

O 'Diabo Verde' (ônibus 561) é tema da Irada! - Arquivo pessoal

De forma mais recente, lá do Irajá, Osmane Fonseca, 34, criou a Irada! em 2019, trazendo estampas do vizinho da Makita ao vira-lata caramelo, as camisetas vem ganhando mais adeptos nas redes sociais, se inspirando também em memes. "Procurei criar conteúdo que tenha a ver com o dia a dia do suburbano e as experiências que viveram, resgatando o saudosismo. Se a gente pode carregar o orgulho de ser carioca em uma estampa, por que não podemos também carregar o orgulho de ser suburbano?", diz Osmane.

Ambos tocam suas marcas com objetivo de exaltar os subúrbios, abrindo espaço em algo que parecia engessado: a ideia de um Rio que até mesmo em suas roupas vive em função das praias e de cidade curvada às imagens da Zona Sul e do Centro. Parece que superamos isso, e a tendência é ganharmos mais espaço. O Rio não é só praia...

Economia local e orgulho aquecidos

Não só o retrato dos cotidianos é valorizado. Em sua linha de produção, Fabrício movimento pequenos produtores de comunidades da Zona Norte. "Isso aquece a economia local e desenvolve o microemoreendedorismo suburbano", afirma. Prezando pela qualidade de suas peças, quebra a lógica do pejorativo no qual os suburbanos são lançados, mostrando que nos subúrbios também existem qualidade e apreço pela boa confecção. "Ter um cliente que se emociona por ver algo que represente parte de sua vida é gratificante!", finaliza.

Exemplos que precisam se repetir

Ainda bem no início, o projeto de Osmane dá espaço para artistas locais produzirem e, assim, divulgarem seus trabalhos. Ele ainda atua como entusiasta do mercado que envolve os subúrbios. "Uso mão de obra de Jacarepaguá, Irajá e Quintino. Busco sempre parcerias com artistas locais, e pretendo colocar pontos de venda e participar de eventos. Estou sempre aberto a divulgar outros eventos e serviços ligados aos subúrbios", diz.

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O 'Diabo Verde' (ônibus 561) é tema da Irada! Arquivo pessoal
Fabrício busca inspiração no cotidiano do subúrbio Arquivo pessoal

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