Esperar o ônibus vira martírio para os passageiros da Baixada Fluminense

Pontos não têm conforto e, malconservados, oferecem risco

Por helio.almeida

Rio - Ferrugem, vidros quebrados e soltos, repletos de pichações, reboco de concreto caindo do teto, vergalhões expostos, além de coberturas sujas e estreitas que deixam os passageiros debaixo do sol e da chuva. Essa é a realidade de muitos pontos de ônibus da Baixada Fluminense. O DIA fez uma blitz em três cidades — Nova Iguaçu, Belford Roxo e Duque de Caxias — e constatou que o respeito aos usuários passa bem longe dos locais.

Nessas coberturas, a poluição visual também chama a atenção. Na maioria delas, é possível ver papéis de propaganda colados e presos nos pontos, como anúncios de TV a cabo, bailes funk, empregos para jovens e festividades em igrejas evangélicas.

Em Nova Iguaçu, a situação é das mais críticas. Na Via Light, no Centro, da Rua Doutor Barros Júnior à Avenida Nilo Peçanha, num raio de 300 metros, há oito coberturas. A nona foi arrancada e parte da estrutura ficou presa ao chão. Vidros foram amarrados com barbante para que não caiam.

Ferrugem%2C vidros quebrados%2C pichações%2C reboco caindo do teto%2C vergalhões expostos são alguns dos problemasPaulo Alvadia / Agência O Dia

A dona de casa Janete Barbosa, de 65 anos, reclama do risco para quem passa pelo local. “Quem pisar aqui, pode acabar se machucando. Os pontos de Nova Iguaçu são uma vergonha”, diz.

Segundo ela, bastam cinco pessoas para que as coberturas fiquem lotadas. “Temos que ficar no sol à espera do ônibus”, reclama Janete.

Em Belford Roxo, outros problemas. Coberturas antigas, de concreto, sem manutenção, estão com a estrutura comprometida e vergalhões expostos.

Na Avenida Retiro da Imprensa, no Jardim Almo, a cerca de 70 metros da 54ª DP, um ponto de ônibus chama atenção. No local, há lixo, e as telhas da cobertura estão caindo. O reboco do teto também está se soltando e os vergalhões ficam expostos.
Além disso, falta iluminação, e o local é considerado perigoso. “Muitos ônibus não param por aqui durante a noite, pois fica tudo escuro”, afirma a dona de casa Cristiane dos Santos, 36 anos.

Em Caxias, reclamação contra a falta de conforto

Em Duque de Caxias, as coberturas dos pontos de ônibus também são motivo de reclamações. Na Avenida Governador Leonel Brizola — a antiga Presidente Kennedy —, no Centro, a queixa é contra a falta de bancos ou cadeiras.

Moradora do bairro Pantanal, a doméstica Olívia das Graças, 58 anos, é uma das que se queixam. Ela diz que chega a esperar por até 30 minutos em pé pelo ônibus. “É uma cobertura sem conforto. Merecemos mais respeito”, reclama Olívia, cansada.

Um pouco distante dali, ainda na Avenida Presidente Kennedy, em Gramacho, passageiros se viram como podem para fugir do sol e do calor. Como os pontos não possuem coberturas, muitos se abrigam debaixo de marquises ou dentro de lojas enquanto esperam os ônibus.

Melhorias só em 2014

A Prefeitura de Nova Iguaçu alegou que já está fazendo um levantamento do mobiliário urbano. O seretário municipal de Urbanismo, Habitação e Meio Ambiente, Giovanni Guidone, promete reformar as coberturas em 2014.

A Secretaria de Obras de Belford Roxo também prevê obras em 2014. Segundo a assessoria de imprensa, o dinheiro para a recuperação já foi pedido.

O prefeito de Duque de Caxias, Alexandre Cardoso, garantiu que vai reformar 90% dos pontos. “Vamos chegar a comunidades carentes, como a Mangueirinha. Estamos fazendo um estudo do mobiliário urbano”, disse.

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