Por helio.almeida

Desde 1993, a Cooperativa Mista de Coleta e Reaproveitamento de Mesquita (Coopcarmo) desenvolve no bairro Jacutinga um trabalho de coleta seletiva que virou referência. Hoje, ela conta com 498 pontos de recolhimento, em Mesquita, Nova Iguaçu e Nilópolis, emprega 13 pessoas e recicla, em média, por mês, 40 toneladas de papel, plástico, vidro e metal.

O sucesso da Coopcarmo se deve em grande a Hada Rúbia Silva, uma alagoana de 58 anos que, apesar de hoje ser administradora da cooperativa, se define como “catadora, com muito orgulho”.

Para aumentar a renda%2C o grupo mantém um bazar%2C onde vende de tudoJosé Pedro Monteiro / Agência O Dia

A história da cooperativa se mistura com a de Hada, que fala francês, já viajou para Bélgica, Colômbia, Portugal, Alemanha, Luxemburgo, França e outros países, fazendo palestras e mostrando seu modelo de negócios. Em seu escritório, uma prateleira exibe cinco troféus, um reconhecimento a seu trabalho.

A cooperativa recolhe, seleciona e prensa o material que será revendido a interessados em reciclá-lo. “Temos cerca de 20 empresas, como a Reduc, a Tetrapac e Furnas, que colaboram trazendo material reciclável”, explica a presidente da cooperativa, Marilza Reis Arariba, de 58 anos.

O cargo não impede, porém, Marilza de colocar a mão na massa. “Aqui, todos trabalham e ganham o mesmo salário”, diz a presidente.

A Coopcarmo recolhe por ano cerca de 500 toneladas e faturou, em 2012, R$ 118 mil. O dinheiro garante a cada empregado o pagamento de um salário mínimo, almoço no trabalho e seguro de vida.

Hada Rúbia pretende expandir a cooperativa. “Quando olho para a pilha de lixo, vejo horizontes”, diz ela.

Preconceito até em casa

Na matemática da Coopcarmo, um quilo de garrafa PET equivale a R$ 1,80. Para chegar ao peso de venda, são necessárias 20 garrafas. Hoje, há dez empresas entre os compradores de material reciclado.

Para aumentar a renda, o grupo mantém um bazar, onde vende de tudo. “Com ele, pagamos gás, gasolina e o lanche dos funcionários”, explica a presidente.

Hada Rubia, que enfrentou o preconceito da própria família para seguir adiante com seu projeto de reciclagem de lixo, relembra o passado, hoje superado. “Meu filho tinha vergonha de mim. Era chamado na escola de ‘filho da lixeira’, conta ela.

Conta de luz mais barata para quem reciclar

Para a cidade de Mesquita, coleta seletiva não é novidade. Criado em 2006, o Programa Coleta Seletiva Solidária conta com cerca de seis mil residências cadastradas. O projeto tem parcerias como Petrobras e Sebrae.

Atualmente, a prefeitura está em negociação com a Light para a criação do Light Recicla, um programa de troca de material reciclável por desconto na conta de luz. A iniciativa faria de Mesquita pioneira na Baixada, com programa de coleta abrangente.

O novo projeto vai cadastrar moradores que vão receber um cartão com o número da conta. A partir daí, poderão levar o material para os ecopontos, que já estão sendo criados na cidade.

Nesses locais, o lixo será pesado e convertido em um valor, de acordo com o material. O montante será abatido na conta de luz. “Para a cidade, o projeto tem um cunho social, ambiental e educacional muito importante”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Adauto Prado.

Segundo ele, serão reduzidas a quantidade de lixo nos Centros de Tratamento de Resíduos (CRTs) e as despesas com seu destino. “O dinheiro poupado pode ser investido em outras áreas”.

A prefeitura está firmando convênio com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), no valor de R$ 400 mil, para a aquisição de equipamentos para o programa. “A previsão é que, até o fim do ano, tenhamos todo o material de que precisamos”, explica a subsecretária municipal de Meio Ambiente, Fabíola Vieira.

Para o Programa Coleta Seletiva, a prefeitura construiu quatro galpões, no Centro, na Chatuba, em Rocha Sobrinho e em Santo Elias. Neles, há cozinha, escritório e um veículo para levar os cooperativados. Em 2012, foram recicladas 375 toneladas de lixo e, até junho deste ano, o total já chega a 159 toneladas.

O Galpão Chico Mendes fica na Avenida Coelho da Rocha 2.500, em Rocha Sobrinho. Em Santo Elias, fica o Zilda Arns, na Rua Bráulio 139. Já o Galpão Secretária Cássia Valéria está na Rua Mercúrio 450, no Centro, e, na Chatuba, na Rua Magno de Carvalho 1.660, está localizado o Dorothy Stang.

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