'Órfãos' do lixão de Japeri vão criar cooperativa para coleta

Projeto tem apoio da prefeitura, que construirá galpão para realizar a reciclagem

Por bferreira

Rio - Último município da Baixada Fluminense a se adequar à Lei Nacional de Resíduos Sólidos, que obrigava as cidades a fechar seus lixões até o último dia 2 de agosto, Japeri vai ganhar uma cooperativa de catadores. A prefeitura alugou um galpão no bairro do Mucajá para não deixar órfãos estes trabalhadores, que viviam dos resíduos armazenados no depósito da cidade. A cooperativa de coleta seletiva deve começar a funcionar em duas semanas.

Esperança de dias melhores%3A Joel Gomes foi eleito presidente da cooperativa%2C formada por 47 catadoresDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

“Tiramos 47 pessoas dentro do lixão. Fizemos uma parceria com a Coppe-UFRJ que tem um projeto de incubadora tecnológica de cooperativas populares. Houve capacitação desses catadores com diversos cursos. Quando tudo estiver pronto, a prefeitura vai contratar a cooperativa”, ressaltou a secretária de Meio Ambiente de Japeri, Michelle Fernanda Oliveira. Eleito presidente da cooperativa pelos catadores, Joel Gomes, de 45 anos, destacou a iniciativa: “Antes era cada um por si. Agora estaremos organizados. Pretendemos ser uma referência para outros municípios”.

O prefeito Ivaldo Barbosa dos Santos, o Timor, disse que já foi licitado o asfaltamento de todo o bairro que abrigará o galpão. “Mucajá receberá R$ 30 milhões para ser asfaltado. Agora, temos que reeducar a população para que não jogue lixo na rua, fora da caçamba, e o coloque fora de suas casas nos dias corretos de recolhimento. Se não houver essa conscientização, haverá uma maior contaminação por doenças e poluição visual do município”, explicou.

Um consórcio firmado por Japeri e mais quatro municípios da região — Paracambi, Queimados, Mendes e Engenheiro Paulo de Frontin —prevê o despejo dos resíduos no aterro sanitário de Paracambi. Porém, o local ainda está em obras, o que tem causado prejuízos a Japeri, obrigado a levar seu lixo para a vizinha Nova Iguaçu. “O dinheiro gasto é muito alto. Além disso, quando os caminhões chegam lá, ficam parados umas duas horas. Perdemos tempo e dinheiro”, disse Michelle.

Aterro de Paracambi só no fim do ano

Erika Soares, coordenadora do programa Lixão Zero, da Secretaria de Estado do Ambiente, disse que há um termo de ajustamento de conduta para apressar a construção do aterro sanitário de Paracambi. “A Secretaria de Obras está acertando como vai finalizar o aterro, que é de responsabilidade deles. Mendes e Paulo de Frontin, por exemplo, ainda estão destinando os resíduos em seus lixões. Espero que até o fim do ano esteja tudo resolvido”, disse.

O secretário de Meio Ambiente de Mendes, André Mazone, alegou que o governo do estado sugeriu um pré-contrato com uma empresa de Seropédica. “Mas não temos condições de pagar R$ 3 milhões para isso. O município é carente de receita”, explicou.

TCE vistoria destino de resíduos

Japeri vai ser visitada por técnicos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) no próximo dia 8. Uma pesquisa realizada pelo órgão informou que 94% da quantidade de lixo produzida nos 91 municípios já seguem para aterros sanitários, quadro bem diferente de 2012, quando várias cidades sequer tinham coleta regular e detritos, inclusive de procedência hospitalar, eram abandonados a céu aberto em lixões sem qualquer tipo de tratamento.

“Analisamos 53 municípios até o momento. E hoje a situação é totalmente diferente do que a que encontramos em 2012. Mais da metade das cidades já encaminham seus detritos para aterros sanitários ou centros de tratamento de resíduos”, disse Marconi Brasil, que supervisiona as auditorias.

Segundo ele, muitas cidades não tinham dados. “Uma nem sabia para para onde o lixo ia. Agora, há também operações consorciadas para os municípios que não têm aterro sanitário. Eles despejam em outro município próximo. Em 2012 não havia esse plano”, afirmou.

Reportagem de Eduardo Ferreira

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