População nas cidades do petróleo cresce a cada ano

Rio das Ostras vai pedir revisão de taxa do IBGE. Enquanto isso, em diversos municípios do estado, número de habitantes encolhe com falta de empregos

Por thiago.antunes

Rio - Felipe “Chinês”, como é conhecido em Cabo Frio, abriu uma pastelaria há três meses. Saiu da China e escolheu a cidade por gostar de praias como as do Forte e das Conchas. “Minha filha pequena estuda aqui e quero que ela cresça nesse belo lugar”, elogia. A cidade é uma das 10 do estado onde a população mais cresce, segundo pesquisa recente do IBGE. Nos municípios próximos das instalações da indústria de petróleo e gás na Bacia de Campos, o índice vem aumentando consideravelmente. Sete das dez cidades cuja população mais cresce no estado estão na região.

Rio das Ostras, na Região dos Lagos, foi a cidade que teve o maior crescimento do número de habitantes no estado (4,07%), com um total de 127.171 mil habitantes. Casimiro de Abreu, Macaé, Carapebus, Quissamã, na Região Norte Fluminense, e Cabo Frio e Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, também experimentam forte crescimento.

Felipe “Chinês” investiu em uma pastelaria em Cabo Frio%2C uma das que têm maior aumento da população — já são mais de 200 mil habitantesDivulgação

“Acredito que os municípios que se beneficiam das vantagens que as empresas do petróleo trazem para a região acabam atraindo mais pessoas a migrarem e morarem lá. A qualidade de vida e a quantidade de emprego aumentam na cidade”, explicou o responsável pelo estudo, o pesquisador Luciano Gonçalves.
Já Maricá está na segunda colocação da pesquisa, com 2,55% de crescimento e uma população de 143.111 mil habitantes. “A criação do Comperj, em Itaboraí, é fundamental para essa colocação de Maricá.

A proximidade dessas duas cidades exemplificam isso”, disse Gonçalves. Iguaba Grande, na Região dos Lagos, e Mangaratiba, na Costa Verde, também estão entre as dez com maior crescimento populacional. O prefeito de Rio das Ostras, Alcebíades Sabino (PSC), contesta dos dados do IBGE e já pediu revisão nos números. Segundo ele, estudo feito pelo município com base nos dados do próprio instituto mostram que a taxa de crescimento chega a três vezes mais (12,5% ao ano).

Clique na imagem para ampliarArte%3A O Dia

“O que queremos é a realidade, pois o cálculo influencia na partilha de ICMS e FPM (Fundo de Participação dos Municípios). Queremos evitar perdas”, diz ele. Em 10 anos, de 2000 a 2010, o número de habitantes na cidade cresceu 190%. O município também desponta como o segundo que mais cresce no país — o primeira é Balbinos (SP), onde a população passou de 4.433 para 4.629 habitantes.

A capixaba Bruna se mudou com a família para Cabo Frio há sete anos Divulgação

Enquanto isso, em municípios do Noroeste Fluminense e da Região Serrana, a população encolhe a cada ano. A cidade que teve a maior queda foi Laje de Muriaé, no Noroeste, com 0,60%. Sua população hoje é de 7.341 mil habitantes. “As pessoas que moram nesses municípios que apresentaram queda vão em busca de melhores oportunidades de trabalho e estudo em grandes centros. Tanto que a migração é mais intensa entre as pessoas a partir dos 18 anos”, explicou o pesquisador do IBGE.

Paz para uns, violência para outros

Nascido na Angola, Vitor Bastos já morou em 13 estados do Brasil, mas escolheu Cabo Frio para montar a sua Padaria Gavinhos, no Centro. “Sai da guerra da Angola e encontrei a paz aqui”, ressalta o comerciante.

Já o dono de uma loja de bolsas e acessórios, Jhonatan Cacau, nascido no Ceará, elogia a cidade, mas alerta sobre a violência que vem crescendo. “É um lugar que gosto de morar, mas é preciso saber lidar com a violência, que tem aumentado junto com o número de habitantes”, diz o cearense.

Bruna Azevedo nasceu em Vila Velha (ES) e há sete anos decidiu com a família fincar raízes em Cabo Frio. “Não trocaria isso aqui por nada. O povo é muito receptivo”, afirma a vendedora de uma ótica no Centro.

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