Por felipe.martins

Rio - As águas de março prometem trazer um refresco para a crise hídrica que atinge o Rio de Janeiro. Entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março vai chover o suficiente na Bacia do Rio Paraíba do Sul para manter o volume dos reservatórios que abastecem o estado em níveis positivos. A perspectiva é do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a partir de levantamento do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Ontem, o nível do Reservatório de Santa Branca (SP), que abastece o estado, subiu, atingindo 0,08%, saindo do volume morto. Os outros três reservatórios também permanecem no volume útil.

Segundo Édson Falcão, coordenador de Planejamento e Projetos Estratégicos do Inea, já choveu este ano mais do que no mesmo período do ano passado, quando se iniciou a estiagem que castiga o estado. Apesar da melhoria no volume dos reservatórios, especialistas recomendam que a população continue a economizar água. “O racionamento é uma questão técnica, mas acho complicada, porque você não precisa fechar de uma vez a torneira, você pode reduzir a quantidade de água voluntariamente”, disse Décio Tubbs, presidente do Conselho Estadual de Recursos Hídricos.

Ativistas e agricultores de Cachoeiras de Macacu foram ao Inea protestar contra projeto no Rio GuapiaçuDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

As informações foram apresentadas ontem, na sede do Inea, durante reunião para debater, entre outros temas, a construção da barragem de Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu. A obra é considerada importante para aumentar a oferta de água na região Leste Fluminense, especialmente nas cidades de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí. Porém, esbarra na resistência de movimentos populares e de agricultores que alegam possíveis prejuízos com o projeto. Um grupo de 20 agricultores e ativistas participou da reunião. Uma das integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) leu uma carta de indignação contra a obra.

Soluções alternativas para barragem

Em vez de uma megabarragem, pequenas represas em torno do Rio Guapiaçu poderiam resolver a escassez de água do estado e gerar menos impactos ambientais. É o que alerta Adacto Ottoni, coordenador do curso de Engenharia Sanitária e Ambiental da Uerj. “São obras mais baratas, mais sustentáveis, que não vão gerar problemas sócio-ambientais”, disse ele, durante a reunião de ontem, na sede do Inea.

Diante de forte pressão popular, o processo de licenciamento da barragem foi suspenso ano passado pelo Inea, que agora pretende retomá-lo. A obra, que deverá custar R$ 250 milhões, prevê a inundação de uma área de 500 hectares e deverá impactar os 3 mil agricultores que vivem na região.

“É como você tirar um peixe do rio e colocar numa pista seca. Tirar o nosso pão de cada dia da boca. Nossa vida é totalmente voltada para a agricultura. O que será da gente agora? O que eu sei fazer é plantar, colher. Tirando isso da gente, ficamos sem chão, no ar”, disse Arlindo Lovise de Souza, de 46 anos.

“É possível fazer a construção dessa barragem, que vai melhorar a oferta de água do Leste Fluminense, mas precisamos ver uma alternativa para que os agricultores não sejam prejudicados”, defendeu Décio Tubbs.

Reportagem de Vinícius Amparo

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