Editorial: O que mostra a superlista da Odebrecht

O financiamento por empresas de campanhas eleitorais é o mal a combater

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - Ainda envolta em controvérsia e longe de ser prova irrefutável de corrupção, a lista de supostos pagamentos da megaempreiteira Odebrecht ratificaria prática consagrada na política brasileira. Não é segredo que empresas investem pesado nas eleições. A diferença entre apoio e conluio, como se sabe, é muito tênue, e por essa linha borrada passaram muitos malfeitos e esquemas.

É preciso salientar que a lista, posta sob sigilo pelo juiz Sérgio Moro, não condena ninguém — por enquanto. Mas impressiona o escopo. Abarca a maioria dos partidos, ignorando ideologias ou discursos, e perpassa mandatos. É praticamente uma instituição.

O financiamento por empresas de campanhas eleitorais, algo em tese proibido pela Justiça, mas alvo de ferrenha cruzada pela sua aprovação na Câmara, é o mal a combater. Decerto não é a panaceia contra a corrupção, mas é um caminho, seguro e necessário, para acabar com tantos desmandos na política. A lista pode acelerar, enfim, esse processo.

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