Editorial: Voz da paz não é a voz da baderna

Transformar a revolta em baderna despedaça a causa e, ao invés de antecipar soluções, as atrasa

Por felipe.martins , felipe.martins

Rio - A morte do menino Ryan é mais uma dentre muitas atrocidades que persistem no Rio de Janeiro dito ‘olímpico’. Vítima de uma guerra estúpida que o Estado deveria impedir, o garoto tornou-se símbolo de justa indignação em Madureira. Foi baleado em briga entre traficantes rivais, cujos desdobramentos preveem ainda mais balas e muito medo.

Moradores do Cajueiro, onde transcorreu a tragédia, têm razão, direito e obrigação de gritar por mais uma brutal morte de um inocente — uma criança. Não devem ficar calados diante do surrealismo de testemunhar tiroteio com fuzis na porta de casa. Precisam exigir do Estado dignidade — que vai além de segurança e policiamento.

Transformar a justa revolta em baderna, entretanto, despedaça a causa e, ao invés de antecipar soluções, as atrasa. Destruir ônibus — prática tão em voga neste Rio despedaçado — e estações, além de fechar o comércio, não traz justiça. Ao contrário: tira o foco da reivindicação, que é o direito de ir e vir sem que balas interfiram.

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