Jaguar: Involução

Rude é uma expressão pífia para descrever o festival de porradas, gravatas de MMA, cotoveladas e camisas rasgadas no futebol

Por cadu.bruno

Nem eu nem o Google sabemos quem usou pela primeira vez a expressão ‘rude esporte bretão’. Mas voltou a ser atualíssima, pelo que vi na TV, depois de ‘overdoses’ de carrinhos e botinadas (não necessariamente na bola). Na verdade, rude é uma expressão pífia para descrever o festival de porradas, gravatas de MMA, cotoveladas e camisas rasgadas. Para mim, o mais espantoso dessa carnificina foram os pisões, com aquelas travas pontiagudas como punhais rasgando os músculos dos jogadores, onde a bola, que deveria ser a protagonista, tem o papel de coadjuvante.

Numa comparação, o rúgbi, violento esporte também inventado pelos ingleses, parece um esporte para mocinhas. Algo que deixaria horrorizado até um gladiador romano. Quando alguns beligerantes, digo, jogadores, saltam ou se chocam no campo, tentam causar o maior dano físico possível. Se espirrar sangue, melhor ainda (e para os torcedores também). Aparentemente a intenção é mandar o colega de profissão para o hospital ou, se possível, para o necrotério. Com o aval da máfia da Fifa, que tomou de assalto o futebol, os juízes são orientados a só marcar pênalti ou expulsar alguém em caso de fratura exposta. Não é futebol, é chutebol.

Na semana passada, por conta da Euro e da Copa América, fiquei com a bunda quadrada. Horas de futebol e litros de cerveja sem álcool. Só não acabou em divórcio porque temos duas TVs em casa. Os mais velhos ainda se lembram que algumas seleções praticavam o que era chamado de futebol-arte. Como a seleção brasileira de Garrincha e a húngara de Puskas.

Hoje, no lugar do futebol-arte tem o temos o futebol-botinada. Dois momentos emblemáticos de um futebol que acabou. O primeiro: a premonição que fez Zatlan Ibraimovitch — o Ibra — aposentar as chuteiras no auge da fama, depois de recusar proposta trilionária do Manchester City, quando a Inglaterra ainda não tinha se desintegrado. A segunda: a expressão meio catatônica de Messi (“a estátua perenal da dor”, de Ismael Silva) depois de fracassar na cobrança do pênalti que fez a Argentina perder a final para o Chile. Um inglório fim da linha para ele.

Finalmente, é incrível que nenhum comentarista (saudades de João Saldanha e Nelson Rodrigues) tenha registrado: em Croácia x Portugal não houve um único, um mísero chute a gol nos 90 minutos regulamentares, mais a meia hora de prorrogação. Atenção, ‘Livro Guinness dos Recordes’.

Jaguar

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