Ricardo Cravo Albin: Balancinho afetivo dos Jogos

A diversidade de raças e de línguas, o colorido do ir e vir e a felicidade (ao menos aparente) dos visitantes ficarão em minha memória

Por tabata.uchoa

Rio - Mesmo escrevendo um pouco antes do término da Olimpíada, vale tentar aqui a aventura de considerações leves sobre este agosto embriagador, não pelos dissabores políticos, mas pelos gozos do hoje findo conjunto olímpico. 

Balancinho afetivo dos JogosAgência O Dia

1) De imediato, para louvar os ganhos do Rio. A cidade se transformou, como era mesmo de se esperar. Só que nós, os nativos, nunca convivemos durante quase um mês com o mundo inteiro ao lado. E soubemos retribuir com a simpatia proverbial do espírito carioca. A diversidade de raças e de línguas, o colorido do ir e vir e a felicidade (ao menos aparente) dos visitantes ficarão em minha memória. Até porque outro evento deste porte, pregando a paz entre os povos pelo esporte, será muito difícil de ocorrer por aqui.

2) A organização férrea do COI foi absorvida com competência pela prefeitura, o que permitiu que padrões internacionais ficassem próximos do ideal, acrescidos, este o maior ganho, da extasiante moldura da paisagem carioca.

3) O legado para a cidade ficou muito claro e confortável pela melhoria da mobilidade, drama que nos atormenta por décadas. Além das novidades do VLT e BRT, a chegada do metrô à Barra foi essencial. E o transporte coletivo confirmou-se como solução final para o Rio se libertar do excesso de carros. Outro acerto foi a revitalização do Porto e o Boulevard Olímpico, desvendando novos encantos para o Centro. O legado mais esperado, a despoluição da formosa Baía, foi o antilegado. E a única vergonha abismal.

4) Afora o esforço de segurança necessária para mais de um milhão de visitantes, em cidade apregoadamente violenta, ficou um doce sabor pelo comportamento cordial, tanto da imprensa internacional, dos atletas e dirigentes, como das casas de hospitalidade criadas por países amáveis.

5) Não posso deixar de registrar, finalmente, o incidente com os atletas americanos. Que veio, a meu ver, como um presente para o Rio. Explico: eles apostaram na nulidade da segurança policial e se escoraram neste suposto mito para mentir e difamar a cidade. Prontamente apurado pelas autoridades brasileiras, o fato correu o mundo, avalizando a confiabilidade de investigações. Nenhuma campanha a favor do Rio custaria tão barato. O que me inclina até ao absurdo de estimular mais ‘mentiras’. Desde que de imediato rebatidas com vigor pelos que cuidam da dignidade da cidade. Que deveríamos ser todos nós.

Ricardo Cravo Albin é Presidente do Inst. Cultural Cravo Albin

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