Por bianca.lobianco
Rio - Enquanto a crise abala os três poderes da República com os maus resultados da economia que enfraquecem o Executivo, os ministros do STF batem boca publicamente e membros do Legislativo fazem conluio com empresários inescrupulosos, devemos, então, indagar: qual o papel da Educação num país em que não há mais visão clara do futuro? Que função devem desempenhar os educadores quando os jovens deparam com profundas incertezas quanto à sua sorte profissional e as expectativas de uma vida estável?
Diante do desconcertante panorama, jovens tendem a se isolar do mundo escolar ou na fuga no mundo on-line de relacionamentos virtuais, na depressão, no abuso do álcool ou de drogas. Outros se lançam nas formas violentas de comportamento, como gangues ou grupos de protesto difuso, sem conhecer o que combatem, sem base de conhecimento, recursos usados pelos excluídos dos templos de consumo, mas ávidos por participar do mercado.
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Indiferentes às angústias da juventude, governos, políticos e tomadores de decisão limitam o financiamento da Educação, deixando claro que o “problema dos jovens” não é mais prepará-los como futura elite política e cultural, mas apenas adestrá-los, e mal, para o consumo. Devemos refletir sobre o destino dos jovens e o papel da Educação e do educador diante do panorama atual, crítico e desalentador, indicando alguns caminhos.
Cabe ao governo a obrigação de discernir o momento em que vivemos e priorizar o Ensino Fundamental para voltarmos a ter esperança de se construir um país forte e decente. Infelizmente, os valores do consumo exigem que as pessoas esqueçam hoje o que aprenderam ontem e aprendam hoje o que devem esquecer amanhã. Assim, qual a tarefa da Educação nesse universo que dispensa a aprendizagem e desdenha a acumulação do conhecimento? A Educação é crucial para o avanço de um país. Quanto antes chegar às pessoas, maior será o seu efeito e mais barato ela custará. Basta dizer que tentar sedimentar num adolescente o tipo de conhecimento que deveria ter sido apresentado a ele dez anos antes sai algo 60% mais caro. Não me refiro apenas às habilidades cognitivas convencionais, mas a um conjunto de capacidades que deveriam ser lapidadas, em todas as crianças desde os 3 anos. 
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Carlos Alberto Rabaça é professor e sociólogo